Falando de Corrida

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quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Piquet, o sobrevivente parte 2


Após as mortes de Stefan Bellof e Manfred Winkelhock em esportes-protótipos no ano de 1985, as equipes passaram a exigir de alguns pilotos que não participassem de outras categorias que não fosse F1, sobretudo os pilotos de nível mais alto, como Nelson Piquet. E a primeira coisa que ele fez ao se aposentar da F1, foi se inscrever para Indianapolis, em 1992. Nessa época a Formula 1 vivia uma era complicada, a tecnologia embarcada tirava a graça das corridas e a IndyCar passava a ganhar espaço, sobretudo após o início do processo de internacionalização.  Havia que achava que Piquet não resistiria à tentação de se tornar efetivo na categoria após Indianapolis.

Só que em 1992 Indianapolis não estava para brincadeira. A começar com Rick Mears, até hoje recordista de vitórias em Indy 500. Depois de uma batida fortíssima, Rick quebrou o pé e ficou de fora daquela que seria sua última participação na corrida, o que acabou nem acontecendo. E Piquet passava a se acostumar com os ovais, onde o risco sempre acompanha os pilotos, próximos aos 400 km/h. E Piquet acabou provando o perigo de uma maneira péssima: no meio da curva 4, um pneu furou. O Lola Buick, a princípio saiu de traseira, porém girou 360 graus e atingiu o muro de frente.
Se a Tamburello foi a curva que matou Ayrton Senna e foi palco de outros acidentes fortes, a curva 4 de Indianapolis possui uma enorme lista de mortes, como Swede Savage, Eddie Sachs e inúmeros outros pilotos. E a batida de Nelson o deixou muito próximo de aumentar essa lista. A força do impacto foi equivalente à queda de mais de 20 andares, e destruiu a parte frontal do carro, assim como as pernas de Piquet. Foram inúmeras fraturas, e era possível perceber a dor de Piquet ao vê-lo agitar os braços após a batida.

Foram várias cirurgias para reconstruir os ossos destroçados nos dias que se seguiram, e não se sabia se após o acidente Nelson teria todos os movimentos de volta. E foram meses de molho, sem contudo que Nelson perdesse seu humor. Em uma entrevista, ao mostrar a ponta do dedão que havia sido praticamente perdida, Nelson disse “uma unha a menos para cortar...” A força de Nelson foi fundamental para que ele se recuperasse, e no final do ano ele fez questão de entrar andando no consultório do cirurgião que havia reconstruído suas pernas, disfarçando sua dor e arrancando um “Miracle!” do médico.
Nelson não somente voltou a andar como também voltou a pilotar. Foi para Indianapolis no ano seguinte e se classificou, porém abandonou o GP após 13 voltas. Ainda andou de Endurance e correu a Mil milhas de Interlagos em parceria com o filho Nelson Angelo. Hoje está longe das pistas, apenas acompanha as carreiras de Nelsinho, Geraldo e Pedro. E nunca se vangloriou de seus maiores feitos, sobreviver à duas curvas mortais.

domingo, 18 de setembro de 2011

Piquet, o sobrevivente parte 1




Poucos podem se orgulhar de driblarem a morte mais de uma vez. Se levarmos em conta então que isso ocorreu na Tamburello e na curva 4 de Indianapolis, nem se fala. Nelson Piquet pode se considerar um sobrevivente, afinal a Tamburello vitimou Ayrton Senna, a curva 4, incontáveis pilotos. A verdade é que a carreira de Piquet poderia ter sido muito mais genial se não fosse a Tamburello, justamente quando estava em sua melhor forma. Mesmo assim usou a cabeça para tirar o título de Mansell, que também sofreu um acidente que o tirou da briga pelo título.
Piquet nunca foi um piloto fraco. De 1980 a 1987 não passou uma temporada sequer sem vencer pelo menos um GP. Foi cria da extinta Brabham, onde a parceria com Gordon Murray foi daquelas de marcar época. Foram 2 mundiais, o que não era fácil naquela época. Tudo era muito mais disputado, os carros não costumavam durar muito e os adversários não davam mole como hoje em dia. Não se pensava muito antes de tentar uma ultrapassagem, quem estava lento fechava a porta de verdade e ninguém ficava com frescura na sala da direção de prova, o que aliás só começou com Senna X Prost...
Os adversários de Piquet foram épicos e mais pareciam personagens de briga de bar: Alan Jones, Keke Rosberg, Nigel Mansell, René Arnoux, isso sem contar caras como Gilles Villeneuve e Niki Lauda. E ainda vieram Ayrton Senna e Alain Prost. E quer saber? Piquet foi capaz de vencer todos de maneira espetacular.
Depois daquele 1º de Maio Nelson nunca mais foi o mesmo. Perdeu um pouco a noção de distância, acabou ficando alguns décimos mais lento e teve noites e noites de insônia. Levou aquele campeonato e foi para o lugar de Senna na decadente Lotus. Foram duas temporadas magras, sem vitórias ou grandes resultados, apenas alguns pódios. Em 1990 foi para a Benetton, onde voltou a vencer no final da temporada e finalizou o campeonato em terceiro, em boas disputas com o eterno rival Nigel Mansell.
No ano seguinte a Formula 1 começaria a se tornar mais tecnológica, o computador se sobrepondo ao talento. Ayrton Senna ainda conseguiu vencer, mas a partir dali ficava claro que as equipes médias não teriam vida fácil. Piquet venceu no Canadá em mais um azar histórico de Nigel Mansell, sem combustível na última volta (há versões de que estava lento demais e deixou o motor morrer). Nelson viu o companheiro (e amigo) Roberto Moreno ser dispensado para a chegada de um determinado alemão, e ao final da temporada se aposentou da F1, mas com vontade de ir à Indianapolis, disputar a Indy 500 do ano seguinte. (continua)

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

O peso de um sobrenome


Dentre todos os problemas que um piloto de Formula 1 pode enfrentar, Bruno Senna tem dois enormes: Primeiro, ele é Senna. Segundo, é brasileiro. Ser o primeiro, aliás, não seria um problema tão grande não fosse pelo segundo. Vide Nelsinho Piquet. Bastou ir para os USA, longe da torcida canarinho, e a carreira está deslanchando. Por lá, o público respeita as dinastias. Andretti, Unser, Villeneuve, Fittipaldi... Os americanos respeitam famílias que mantêm a tradição, basta usarmos Christian Fittipaldi como exemplo. Por lá, Christian é muito respeitado e possui muitos fãs, por aqui nem se toma conhecimento quando corre na Stock. Mas isso é próprio da torcida brasileira, em qualquer esporte. Quem fala por exemplo em Acelino Popó Freitas ou Guga Kuerten? Foram heróis enquanto estavam em atividade, hoje são apenas uma vaga lembrança (apesar de carreiras vitoriosas). Cesar Cielo está no mesmo caminho: Uma derrota da seleção brasileira vale uma reportagem muito maior do que 5 medalhas que ele conquiste em único dia. Mas quando começar a perder, aí vai ser cobrado. Nesse ponto, Ayrton Senna teve extrema sorte, não viveu para sofrer injustiças. Sua morte trágica ao vivo ainda é explorada por ter gerado tamanha comoção popular. É de tragédias que  brasileiro gosta, não de vitórias.
Bruno está mostrando talento, ao contrário do que a imprensa daqui diz. Não está chamando atenção por ter um sobrenome famoso, e sim porque está conseguindo resultados, no mínimo, iguais aos de Nick Heidfeld. Se considerarmos que o alemão estava na Fórmula1 desde 2000, isso significa bastante. E em Monza não é tão fácil acelerar como os repórteres especializados gostam de dizer. Tem que saber equilibrar velocidade com precisão nas fortes freadas, como percebemos em um certo alemão da Mercedes, no último GP, e Bruno soube fazê-lo durante o final de semana inteiro, além de escapar muito bem da confusão causada por Liuzzi na largada. Mostrou também um estilo mais para Alain Prost do que para seu tio, afinal fez uma corrida muitíssimo calculada, arriscando nos momentos certos. Tem se demonstrado um bom líder dentro da equipe, e sua personalidade cativante estimula todos dentro do time.
As qualidades de Bruno podem muito bem transformá-lo em um piloto vencedor. Não que será fácil, como nunca nada foi fácil em sua carreira. Mas até agora não desistiu, aproveitou as oportunidades e galgou seu espaço. Torço por Bruno. Não porque ele é Senna, muito menos por ele ser brasileiro. Torço porque é batalhador, não se deixa abater e tem o estilo eficiente que tem destacado muita gente atualmente. Espero que tenha vindo para ficar, e que os grandes times o vejam como uma (boa) opção nos próximos anos. E que, ao contrário do tio, desconsidere o fato de ser brasileiro. Afinal, a torcida irá considerá-lo quando vencer, e quando parar, facilmente será esquecido. 


domingo, 11 de setembro de 2011

Muito boa, mas sem novidades


Muitas movimentações, batidas e belas ultrapassagens, assim pode-se definir o GP de Monza. O GP começou com uma belíssima largada de Fernando Alonso, que dividiu a primeira chicane com Hamilton e Vettel e conseguiu pular para a ponta, levando o público italiano ao delírio. Logo atrás, Liuzzi, desgovernado, fez um verdadeiro strike, acabando com a corrida de Petrov e com a de Rosberg, além de compremeter a corrida de vários outros, como Rubens Barrichello e Bruno Senna. Na relargada, Vettel fez uma ultrapassagem fantástica sobre Alonso, e mais uma vez deixou que os duelos emocionantes ficassem para quem estava do segundo para trás. E disputas não faltaram. Mark Webber tentou ultrapassar Felipe Massa na segunda chicane e comprometeu a corrida do brasileiro, que vinha bem e teve que fazer uma corrida de recuperação. Logo em seguida o australiano bateu de frente na Parabolica, sem maiores consequencias (exceto a perda da vice liderança). E a partir daí o show foi de alguém que estava em terceiro, Michael Schumacher. Ele protagonizou um belíssimo duelo com Lewis Hamilton, que não tinha o mesmo rendimento em reta, essencial para se ultrapassar em Monza. Após uma tentativa na Curva Grande, o inglês passou com uma roda pela grama e acabou perdendo a posição para Jenson Button, que logo em seguida ultrapassou Schumacher logo em seguida por fora, na curva Ascari, mostrando grande talento e indo à caça de Fernando Alonso. Hamilton continuou a disputar com Schumacher, mas sem sucesso. Bruno Senna veio então fazendo uma excelente prova de recuperação, buscando pelos primeiros pontos fazendo belas ultrapassagens em um estilo muito parecido com Jenson Button, agressividade na medida certa.
Button aproveitou a última parada de Alonso, que agora não tinha os pneus mais favoráveis, e passsou fácil pelo asturiano, com quem deve disputar o vice campeonato, enquanto após muito custo Hamilton ultrapassava Schumacher, porém com Alonso muito à frente. Schumacher teve que se contentar com o quinto lugar, já que Felipe Massa estava muito atrás e não seria capaz de atacá-lo. Bruno Senna já estava na zona de pontuação, porém, graças a estratégia de aproveitar a entrada do safety car para utilizar pneus médios apenas por uma volta, foi para cima de Sebastien Buemi e conquistou a nona posição, bem merecida. e Vettel? Longe longe lá na frente, seguido de Button e Alonso, que terminou no pódio porque a corrida só teve 53 voltas. Se fossem 54, Hamilton teria tido tempo de fazer a manobra para conquistar o pódio, e teria feito com facilidade. O resultado final foi este:









Paradas


1
Sebastian VETTEL
Red Bull Renault
ALE
1:20:46.172
53 voltas
2




2
Jenson BUTTON
McLaren Mercedes
ING
+9.590

2




3
Fernando ALONSO
Ferrari
ESP
+16.909

2




4
Lewis HAMILTON
McLaren Mercedes
ING
+17.471

2




5
Michael SCHUMACHER
Mercedes
ALE
+32.677

2




6
Felipe MASSA
Ferrari
BRA
+42.993

2




7
Jaime ALGUERSUARI
Toro Rosso Ferrari
ESP
+1 volta

2




8
Paul DI RESTA
Force India Mercedes
ESC
+1 volta

2




9
Bruno SENNA
Renault
BRA
+1 volta

3




10
Sébastien BUEMI
Toro Rosso Ferrari
SUI
+1 volta

2



Na próxima prova Vettel já poderá levar o bi campeonato, que na verdade já é certo. Também merecido, afinal tem mostrado muita competência para levar um bom carro, ao contrário de seu companheiro de equipe. Quanto à Ferrari, mais uma vez decepcionou. Parece que Alonso deixou na McLaren os dois décimos que levou para lá. E o talento que julgou que tinha, também.