sábado, 27 de agosto de 2011
O GP da nostalgia
Como sempre digo, nada como uma pista bem antiga para a Formula 1 ter graça. Ver os pilotos andando no limite em suas curva ultravelozes onde realmente sabemos quem é bom e quem é marketing (né Alonso) são um prato cheio para discussões e opiniões. E o trino classificatório ainda teve outros atrativos, embora Schumacher não tenha conseguido comemorar à altura seus 20 anos na Formula 1. Uma pena, pois eu gostaria muito de ver o alemão em sua melhor forma, mas uma roda solta estragou o show. Fica para amanhã...
De show para show, muito o que se falar sobre a reestréia de Bruno Senna, em uma sacada esperta da Lotus. Primeiro colocando um Senna em uma Lotus Renault, segundo em colocá-lo justamente em uma pista em que ele sempre soube mostrar seu talento. Confesso que fiquei completamente surpreso em vê-lo na frente de Fernando Alonso, que até agora não se mostrou muito neste final de semana. E nem vai mostrar, afinal os milhões de Euros espanhóis não são suficientes para colocar alguém na frente, e em Spa é necessário muito talento (nos braços, e não nos bastidores).
E falando em talento, tem coisa que não muda. A pole de Vettel confirmou as expectativas de todo mundo, mas foi uma bela disputa, tendo a cena roubada por um Senna (descupe o trocadilho infame). Uma coisa é certa: Amanhã vai dar muito prazer em acordar e assistir à Formula 1. Por quê? Porque é em Spa!
Obervação: A foto acima é de Webber em homenagem ao seu aniversário de 35 anos
sexta-feira, 26 de agosto de 2011
Falando de Spa
Spa é a cara de certos pilotos. De um certo Jim Clark, por exemplo. Clark, aliás, pode ser considerado um dos pilotos mais completos da história. Campeão da F1, vencedor em Indianapolis, recordista de poles por um bom tempo... podia ter ganho mais títulos. Mas teve adversários de respeito, com Graham Hill, um dos pilotos mais completos da história. Campeão da Fórmula 1, vencedor em Indianapolis, Mister Monaco por um bom tempo, e por aí vai. Na década de 70 Spa não abrigou Gps na F1. Foi substituído por umas pistas sem sal, como Nivelles e Zolder. Voltou só em 83, e em definitivo em 1985, marcando a segunda vitória de Ayrton Senna, uma espécie de Hill + Clark: Recordista de Poles por um bom tempo e Mister Monaco até hoje, mas pertenceu à uma época em que Indianapolis não podia mais ser disputadas por pilotos de F1, acabou com uma lacuna em seu currículo, mas mandava bem na pista belga, principalmente debaixo de chuva. De 88 a 91 só ele venceu por lá. Em 92 chegou um outro cara, um tal de Michael Schumacher que tinha estreado (muito bem) em Spa no ano anterior. Marcou em 92 sua primeira vitória, e faltou Indianapolis e ser Mister Monaco, de resto, foi recordista em tudo. Tomou uma ultrapassagem fenomenal de Mika Hakkinen em 2000 na pista belga, mas isso não diminuiu seus feitos. O tempo passou, o traçado continuou desafiador, e virou palco perfeito para um finlandês frio e calculista. Kimi Raikkonen adorava vencer por lá. Sua pilotagem precisa se adaptava perfeitamente ao circuito belga, onde para ele qualquer carro parecia ser o ideal para vencer nesta pista. Exagero meu? Acho que não, sua última vitória na F1 a bordo do sofrível F60 prova que o Iceman se adaptava à Spa em qualquer condição. Mas aí veio uma boa grana da Espanha, ele se mandou para se aventurar por aí e a Ferrari colocou em seu lugar alguém que não é tão rápido quando sua própria líbgua, na maioria das vezes mais rápida que seu cérebro. Uma pena, mas quem sabe ele resolve correr em Indianapolis um dia. Aí pode se tornar um piloto completo, campeão da F1, vencedor em Indianapolis...
quinta-feira, 11 de agosto de 2011
Gostei!
Todo mundo chiou (inclusive eu), protestou e jurou que acabaria com a corrida do milhão, saiu em tudo quanto foi jornal e site especializado, e no final a chicane do café proporcionou uma corrida como há tempos não se via na Stock. Não que as provas da Stock sejam ruins, mas a chicane colaborou para ultrapassagens espetaculares na reta de Interlagos (Cacá Bueno, a principal vítima que o diga). Bom para Thiago Camilo, que venceu uma corrida mais do que merecida e soube aproveitar cada oportunidade de ultrapassar.
Um amigo meu, ex kartista e piloto da extinta F 1600 no final da década de 80, sempre bate em uma tecla: No automobilismo é importante que haja uma curva lenta antes de uma grande reta, para que dessa forma quem está atacando possa entrar colado na reta e então executar a manobra. No final das contas, foi o que aconteceu em Interlagos no último domingo, onde a chicane, aliada ao push to pass, proporcionou uma corrida do jeito que todo mundo gosta, tanto público como pilotos.
A única coisa que continua feia, foi a maneira como a chicane foi colocada, meio que “de última hora”. Claro que não é fácil executar uma obra em Interlagos, afinal qualquer mudança depende do aval da FIA devido ao GP do Brasil de Formula 1, mas nada justifica a chicane ter que ser refeita faltando menos de um mês para a corrida do milhão desperdiçando alguns milhares de dinheiro público. Faltou a supervisão da CBA no primeiro momento, mas infelizmente é assim, política e esporte obrigatoriamente acabam se misturando. Por isso que o esporte nacional está indo tão bem...
quarta-feira, 3 de agosto de 2011
Não vale um milhão
A corrida do milhão chega à sua quarta edição, cheia de Marketing e transbordando desrespeito para com todos. A corrida segue a direção tomada pela Fórmula Truck, que tem buscado a internacionalização. Jacques Villeneuve (que já correu de Top Race por aqui em uma abertura da Truck) será a cereja do bolo, o convidado especial para dar um toquezinho especial, como uma Le Mans ou Indy 500. Na minha opinião, a prova poderia ter alguns “algo mais” além do que já tem. Alguns carros a mais no grid, uma duração de umas duas horas e eventos que aproximassem a categoria do público nas ruas da cidade onde a corrida será disputada seriam algumas ações legais (Não precisa andar com os carros nas ruas, só colocar umas réplicas em alguns pontos de venda e alguns pilotos dando umas tardes de autógrafos, não ia matar ninguém e atrairia mais público), afinal apenas a propaganda envolvendo o valor do prêmio e um único convidado especial são pouco para uma prova que quer ganhar tanto destaque, ainda mais por se tratar já da quarta edição.
Está na hora de a Stock pelo menos voltar a ser como era em questão de show para o público (não só na pista, mas evento em si). Observar pelo menos um pouco o que se faz nos Estados Unidos, já que a categoria sempre quis se inspirar na NASCAR e trazer para cá não seria má idéia. Só para você ter uma idéia, nos USA é possível alugar Scanners que possibilitem pegar a freqüência de rádio dos pilotos durante a prova, o que é um atrativo e tanto. E voltar a permitir que a galera entrasse de carro no autódromo e levasse suas churrasqueiras (uma vez vi uns caras que levaram até um sofá) não diminuiria em nada a segurança do autódromo e tornaria tudo mais divertido.
A Stock está cada vez com mais cara de Fórmula 1 (no mau sentido), o que tira o prazer até mesmo de trabalhar nas provas, o que dirá de freqüentar suas arquibancadas. Fora o desrespeito com os profissionais fotógrafos, que tem que esperar a boa vontade da organização para conseguir as credenciais para trabalhar. E ainda tem a chicane da curva do café... Pena que Aurélio Félix não esteja mais conosco, pois ele teria muito o que ensinar à Carlos Col. Prova disso é o fato de mesmo depois de sua morte a Truck só crescer, a ponto de ter dois campeonatos, ao contrário da Stock, que de uns anos para cá só tem perdido categorias.
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
O fator Button
Mais uma vez a eficiência de Button acabou sendo fundamental para derrotar seus rivais. Diante de condições climáticas não muito favoráveis, Button venceu pela Segunda vez em condições adversas o GP da Hungria (Para quem não se lembra, na primeira vez na história que choveu na Hungria, Button venceu. E na segunda também). Depois de uma largada em que desistiu de ser mais agressivo com o companheiro de equipe, Button ficou quietinho na sua, sem fazer voltas mais rápidas nem ir para cima dos rivais. Rivais, que aliás, erraram. E muito. Fernando Alonso deu várias patinadas, e se beneficiou do fato de Felipe Massa ter ordens de não ficar à sua frente. Mesmo assim continuou errando, e brigou com Mark Webber. Massa também errou, e Vettel estava conservador, demonstrando cada vez mais que realmente amadureceu e não quer cometer os erros de outros tempos. Hamilton estava fazendo bonito. Largou bem, fechou a porta para Button, foi para cima de Vettel e pareceu que venceria fácil. Mas só pareceu, pois acabou errando e permitindo a passagem de Button. Aí errou na estratégia: Assim como Mark Webber apostou que os pingos que caíram se tornariam chuva. Não se tornaram, levando o inglês para fora da briga pela vitória, tendo que se contentar na briga pelo quarto lugar, com Mark Webber. Alonso, longe de fazer uma bela corrida, se deu bem e conquistou a posição dos dois, levando à Ferrari à mais um pódio. E sem erros, nem arriscar demais, Jenson Button foi mantendo seu conservadorismo e provou que sabe usar mais a cabeça do que o pé. Resumindo: mais uma vez Button prova que seu título não foi ocasional, muito pelo contrário: sabe aproveitar de forma racional as oportunidades que tem. E se for campeão de novo, será merecido, mais uma vez.
Resultado final:
Paradas | |||||||
1 | Jenson BUTTON McLaren Mercedes | ING | 1:43:42.337 | 70 voltas | 3 | ||
2 | Sebastian VETTEL Red Bull Renault | ALE | +3.588 | 3 | |||
3 | Fernando ALONSO Ferrari | ESP | +18.819 | 4 | |||
4 | Lewis HAMILTON McLaren Mercedes | ING | +48.338 | 6 | |||
5 | Mark WEBBER Red Bull Renault | AUS | +49.742 | 5 | |||
6 | Felipe MASSA Ferrari | BRA | +1:17.176 | 4 | |||
7 | Paul DI RESTA Force India Mercedes | ESC | +1 volta | 3 | |||
8 | Sébastian BUEMI Toro Rosso Ferrari | SUI | +1 volta | 3 | |||
9 | Nico ROSBERG Mercedes | ALE | +1 volta | 4 | |||
10 | Jaime ALGUERSUARI Toro Rosso Ferrari | ESP | +1 volta | 3 | |||
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