Falando de Corrida

Novidades, lembranças e curiosidades do nosso esporte a motor

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quarta-feira, 30 de abril de 2014

Os fantasmas de Ímola - parte 1

Muita gente acredita que o acidente de Rubens Barrichello naquela sexta-feira foi o início do que seria um dos finais de semana mais trágicos do automobilismo. Na verdade, aquele final de semana foi resultado de um conjunto de acontecimentos negligenciados ao longo de muitos anos (se levarmos em consideração os problemas do autódromo de Ímola) e pelas então recentes mudanças de regulamento na tentativa de diminuir custos e equalizar desempenho (essas tão infrutíferas quanto demagogas).
No final de 1993, a FIA decidiu proibir as ajudas eletrônicas, o que valorizaria o talento dos pilotos. Só se esqueceu de que os carros e motores tinham sua potência e aerodinâmica baseadas nesses apoios eletrônicos, que foram retirados sem que os carros recebessem mudanças técnicas de forma a torna-los estáveis e seguros. O resultado foram carros frágeis demais para tanta potência, e pouca estabilidade para mantê-los na pista.
Na pré-temporada, Ayrton Senna já havia alertado para o perigo e mostrava-se preocupado com a situação. E após uma rodada no Brasil e uma durante os treinos em Ainda, ficava claro que o carro não estava fácil de guiar. Tudo o que faltava para um grave acidente era uma pista apropriada para tal. E foi aí que a Fórmula 1 chegou a Ímola.
Na sexta-feira, como todos sabem, Rubens Barrichello decolou com sua Jordan na Variante baixa e bateu acima da proteção de pneus, quebrando o nariz e o braço. A maior sorte de Rubinho foi o ponto do circuito onde ele bateu, e apesar de ter batido acima da proteção de pneus, não acertou nenhuma parede de concreto.

A mesma sorte não teve Roland Ratzemberger. Durante o último treino classificatório, o austríaco sabia que teria que se esforçar para conseguir um lugar no grid com sua fraca Simtek. Ele dizia estar andando acima do limite do carro, arriscando tudo por uma vaga para correr no domingo. Mas durante uma volta rápida, seu carro passou reto na curva Villeneuve e chocou-se violentamente com um muro que não possuía nenhuma proteção. O choque foi terrível, a ponto de destruir o monocoque de maneira que sua perna ficasse exposta.

Para Ayrton Senna, a classificação acabou ali. Para aquele que era, na ocasião, o maior astro da F1, algo precisava ser feito. Um acidente grave e um fatal, antes mesmo da corrida, já mostravam que a F1 havia passado do ponto naquele final de semana. A TV identificou uma peça se soltando, a qual acreditou tratar-se de um pedaço do aerofólio, o que jamais foi comprovado. Mas nada seria capaz de isentar o inseguro Autodromo Enzo i Dino Ferrari. Roland foi declarado morto 10 minutos após sua entrada no Hospital Maggiore, embora as imagens de seu resgate mostrem claramente uma grande quantidade de sangue saindo pelo seu nariz. 8 anos após Elio de Angelis, a Formula 1 voltava a ter um acidente fatal, e muitas perguntas sem resposta.

segunda-feira, 31 de março de 2014

Silêncio ruidoso


Eu juro que sempre gostei das segundas-feiras pós-GPs. Desde criança, foram os dias em que tive para discutir com meus amigos (mesmo na primeira série) sobre o desempenho desse ou daquele piloto, lances legais... Bom, estes dias se foram. Hoje, tempo de ronco xoxo e pseudos pilotos, sequer tenho vontade de acordar algumas horas mais cedo para acompanhar um GP, tal como não fiz ontem. E sem arrependimentos. Mais uma vez discutiu-se pouco sobre desempenho e mais sobre polêmicas extra pista, leia-se a frase ridícula da Williams.
Mais desta vez, o esporte não foi achincalhado, o público não foi feito de palhaço e Felipe Massa não deixou-se humilhar.  Com razão, Felipe ignorou o fato de que seu companheiro estava mais rápido e fez com que este se esforçasse para tentar uma ultrapassagem. Para Bottas, não deu certo. O jovem finlandês fez biquinho, cobrou uma conversa e mostrou-se insatisfeito. Felipe terminou na frente, impôs respeito e admitiu que está lutando pela carreira. Um pouco tarde? Acho que não.
Felipe passou poucas e boas nos últimos 5 anos. Tentou progredir em um time que só tem andado para trás, com um companheiro nem tão bom quanto a mídia prega. Pagou o pato e agora está em um time que luta para se manter ao menos como médio. Tem cumprido seu papel e não merecia mesmo uma repetição do que houve na Alemanha em 2010.
Felipe mostrou coragem, frieza e maturidade. Seu silêncio no rádio foi mais barulhento do que qualquer “Just leave me alone”. Terminou a prova no lugar onde alcançou por direito, mesmo depois da má posição nos treinos garantida pela lambança da equipe na escolha dos pneus. Ganhou 6 posições e mostrou que tem bom potencial para o restante da temporada. Ponto para um cara que ouviu todo tipo de bobagem desde que retornou após um acidente para lá de sério.

Na próxima semana a Formula 1 desembarca no Bahrein, onde Felipe tem um excelente histórico, com seus carros feios, seus motores silenciosos e uma total falta de espetáculo. É hora de Felipe mostrar que está Faster than Valteri” ou, no mínimo, dar um bom trabalho ao seu companheiro, já que segundo a equipe, existem dois pilotos número 1. Uma expectativa legal, mas insuficiente para trazer emoção para esta temporada - para lá de modorrenta, já que não dá nem para curtir o ronco dos motores.

terça-feira, 25 de março de 2014

À Regina, o que é de Regina


Ainda não sei se por parcialidade, ignorância, preguiça ou tendencionismo. Mas fato irrefutável é que que a mídia especializada não resgata a história como deveria. Nas últimas semanas, vários sites e jornalistas (alguns renomados) deram uma notícia para lá de errada: De que Bia Figueiredo seria a primeira mulher a pilotar na Stock Car Brasileira. A afirmação nos faz levantar duas questões. Primeira: Esses jornalistas realmente sabem sobre o que estão escrevendo? Segunda: É tão difícil assim realizar uma pesquisa, justamente na era da informática? Ora, se de nossas casas temos tanto acesso aos fatos, eles, com todos os mecanismos e fontes possíveis, não são capazes de resgatar a história real?

O fato é que, 30 anos atrás, uma jovem de 24 anos e recém-mamãe, enfrentou preconceitos, dificuldades e falta de segurança de uma época em que Stock Cars eram realmente Stock Cars: Carros produzidos em série que eram ligeiramente modificados para oferecerem mais potência do que segurança, em grids que eram maiores do que os atuais. Ela enfrentou na pista nomes como Ingo Hoffmann, Paulo Gomes, Chico Serra, Reinaldo Campello e outras feras, teve que ir à delegacia para garantir seu direito de correr e disputou parte daquela temporada conforme a verba permitiu.
Regina Calderoni enfrentou todas as dificuldades possíveis, permaneceu por 7 anos disputando as principais categorias nacionais, provas como a Mil Milhas sem nunca perder a motivação e a alegria de estar em um carro de corrida. Metia a mão na graxa com gosto, demonstrava um profissionalismo acima da média e não deixava espaço para machismo e fofocas, que por  vez e outra surgiam, só para manter o costume. Muita luta para ser esquecida, não?

O fato é que Regina até hoje não conquista somente fãs, mas amigos e admiradores, que se impressionam não só pela sua história, mas por sua personalidade marcante e espontânea. E foram justamente esses eternos fãs que fizeram barulho e escreveram aos “jornalistas” exigindo que seu erro fosse corrigido. Isso trouxe à tona outro fato: Fernanda Parra também disputou a Stock Car, embora não na categoria principal, ao contrário de Regina. Foi um simples erro ou mais uma tentativa de fazer oba oba???

Bem, se a mídia se esquece dos fatos que interessam de verdade, pior para eles. Continuarão fazendo da Stock a categoria “onde corre o filho do Galvão”, Formula 1 “onde corria o Ayrton Senna” e automobilismo um esporte que não leva público “porque o ingresso é muito caro”. Então cabe a nós, não profissionais, darmos o merecido crédito e parabenizarmos Regina Calderoni pelos 30 anos de sua conquista! Parabéns Rê, o mérito é todo seu! 

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Número 5, parte 8: A troca de reinado


A equipe Renault havia mostrado certo potencial em 2003 com uma vitória de seu prometido astro Fernando Alonso, mas como todas as outras, foi massacrada pela hegemonia da Ferrari em 2004. Como consolo, uma vitória de Jarno Trulli e um terceiro lugar no mundial de construtores e a expectativa de um 2005 promissor. Isso se confirmou logo na primeira etapa, com Giancarlo Fisichella fazendo a pole e vencendo a prova, com Fernando Alonso cravando a volta mais rápida. O abandono de Michael Schumacher foi minimizado com o segundo lugar de Rubens Barrichello, mas a Ferrari não viveria sua melhor temporada.
A partir da prova da Malásia, Fernando Alonso confirmou a força do time: Emplacou uma série de 3 vitórias em um período marcado pela irregularidade de seus oponentes e seus carros mal desenvolvidos. Michael Schumacher conseguiu apenas um segundo lugar em San Marino, Kimi Raikkönen apenas o terceiro no Bahrein e Juan Pablo Montoya participou apenas das duas etapas iniciais, ficando afastado de duas por machucar o ombro. Giancarlo Fisichella não terminou nenhuma dessas 3 provas, e estava claro que Fernando seria o favorito na disputa pelo mundial.
Na etapa da Espanha, Alonso foi surpreendido por um rapidíssimo Raikkönen, que roubou a cena na terra das touradas e frustrou a torcida local. Em Mônaco Kimi repetiu a dose, e em Nürburgring parecia que iria virar o jogo. Mas devido às regras da temporada (onde trocas de pneus foram proibidas) uma forte freada danificou o pneu, o que causou uma quebra na suspensão e lhe roubou, no finalzinho, uma vitória certa, jogando o GP no colo de Alonso. No Canadá, o finlandês deu o troco após uma quebra do espanhol.
Alonso chegou aos USA com 20 pontos de vantagem, mas quem roubou a cena no GP não foi nem o espanhol nem o finlandês. Foram os franceses da Michelin quem chamaram a atenção do mundo. Durante os treinos, devido à inclinação da última curva do circuito de Indianapolis somados à problemas estruturais dos pneus, ocorreram estouros que causaram acidentes. Em nome da segurança, as equipes que utilizavam a marca pediram que fosse improvisada uma chicane no local. A Ferrari foi contra, e em uma escolha nada democrática, os carros largariam sem a chicane. Após a volta de apresentação, todos os carros equipados com a marca se recolheram, largando apenas Jordan, Minardi e Ferrari. Seria a única vez que o time levaria uma vitória naquela temporada, com Michael Schumacher após uma manobra nada ortodoxa para cima de Rubens Barrichello. Também o último pódio da Jordan e a última vez que ela e a Minardi pontuariam.
Na França a Formula 1 voltaria ao normal, e Alonso levou a taça seguido de Kimi. Em Silverstone, uma surpreendente vitória de Juan Pablo Montoya, com Alonso em segundo e Kimi em terceiro. Agora seria a hora em que o finlandês deveria reagir se quisesse levar o campeonato. Mas graças à problemas, não foi possível: Viu seu carro parar enquanto liderava, deixando Alonso vencer tranquilamente o GP da Alemanha. Nas duas provas seguintes, Kimi daria o troco: Venceu em Hungaroring com Alonso sem pontuar e na Turquia deixou o espanhol apenas com a segunda posição. Mas o desempenho não se repetiu na Italia: Enquanto Montoya venceu e Alonso foi o segundo, Kimi ainda teve Fisichella à sua frente.
Em Spa, Alonso manteve a regularidade que seria sua marca registrada na temporada: Mais uma vez foi ao pódio em segundo, com uma vitória de Kimi. Embora Alonso tenha contado com uma barbeiragem de Antonio Pizzonia, que sem querer tirou Montoya da pista quando este estava logo à frente de Alonso. Kimi venceu a prova, na que seria sua primeira vitória em Spa.
A Fórmula 1 chegou à Interlagos com a probabilidade de o campeonato ser decidido, pela primeira vez, em terras brasileiras. Kimi teria que vencer e depender de uma série de resultados para se manter na briga. Fernando Alonso fez a pole, mas a prova foi dominada por uma McLaren. E para sua sorte, não foi a de Kimi. Montoya venceu pela terceira vez no ano, e após descer do carro em segundo lugar, Fernando Alonso marcou seu nome da história com uma comemoração forte e vibrante, destronando o então absoluto Michael Schumacher. A vantagem construída no início da temporada, somada à sua regularidade, lhe deram o título com duas provas de antecipação. Nem a fantástica ultrapassagem de Kimi sobre Fisichella no Japão para conquistar a vitória importou mais,  e Fernando ainda levou o time ao mundial de construtores após vencer o finlandês na prova final, na China. E assim Fernando tirou o domínio de Michael Schumacher: Interpretando “We are the champions” via rádio após a bandeira quadriculada. E ostentando o mítico número 5.


quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Mídia Sangrenta



Embora alguns esportistas possam ser taxados (com razão) de mercenários, a maioria optou por viver de algo que lhes dá prazer e paixão. Ninguém se torna um piloto porque um amigo indicou seu currículo ou um jogador porque estava desempregado.  O esporte permite ao ser humano superar seus limites, desafiar a morte e vencer outros seres humanos. Essa é a beleza de ser esportista. Mas por outro lado, ser o melhor lhe traz diversos infortúnios. Uma saída com a família ao Shopping torna-se um programa impossível, uma cerveja em boteco qualquer em uma sexta à noite uma utopia e os olhos do mundo sempre estarão voltados para você. E assim acidentou-se Michael Schumacher.
Desde o dia 29/12/2013, o mundo está apreensivo por notícias de um esportista famoso, controverso, ídolo, herói e vilão. As informações são completamente desencontradas e contraditórias, a mídia busca informar primeiro e se esquece de informar direito. Busca informações sobre o ex-piloto Michael Schumacher. Mas até agora, será que alguém se preocupou com o homem Michael Schumacher?
Michael Schumacher foi um cara de origem modesta, diz a lenda que ele e seu pai reviravam o lixo em busca de peças que pudessem usar em seu kart. Sempre foi rápido e habilidoso, mas por trás do piloto genial, havia um esportista que cometia erros que muitas vezes tornaram seu caráter questionável. O piloto se sobrepôs ao homem, seus títulos o fizeram um imortal, um semideus com poderes além da capacidade humana. Agora, uma pedra provou que ele não é.
Em um hospital da França se encontra em coma induzido um homem de família que esquiava com o filho, com seus entes queridos em volta torcendo por sua recuperação, que ao que parece não será fácil. A imprensa não está preocupada com este homem nem com sua família, está em busca de notícias (as mais trágicas o possível), e a mídia voltada para o esporte a motor se delicia em ter uma grande possível tragédia em uma época tão fraca de notícias como o mês de janeiro. A mídia que adora flagrar os porres de Kimi Raikkönen, que procura uma mácula no caminho de Sebastian Vettel e que apedreja Felipe Massa. A mídia sensacionalista sedenta de sangue e de derrocadas.
O acidente de Michael Schumacher nos mostra o quanto o jornalismo está morrendo. Uma área que deveria informar com veracidade e seriedade e que hoje se esquece do fator humano, não se importa com o sofrimento de famílias, não respeita um momento de dor. Hoje fazem alarde de Michael Schumacher, amanhã noticiam com gosto um massacre sangrento em alguma periferia. Esse jornalismo que não tem preconceito nenhum: quando se trata de noticiar uma tragédia, para eles, somos todos iguais.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Número 5, parte 7: O duelo dos herdeiros


Damon Hill talvez seja um grande injustiçado na história do automobilismo. Não porque o considerem um dos piores campeões da história, mas sim porque não estava lá para isso. Hill não fora contratado pela Williams para ser o astro do time. Foi contratado no lugar de Riccardo Patrese, para ser apenas o coadjuvante dos astros (primeiramente Alain Prost e depois Ayrton Senna). Com a morte de Senna, foi jogado no olho do furacão: Possuía o melhor carro e agora era o astro principal do time, sem carisma e sem o talento suficiente para isso.
Se em 1994 Hill foi derrotado depois de um golpe sujo, o mesmo não pode ser dito de 1995, quando foi derrotado de maneira legítima, perdendo o campeonato com 3 rodadas de antecedência. Ficava claro, ali, que Hill não estava apto a entrar para a história como um dos maiores astros da Formula 1.
Em 1996 Não havia muito o que esperar do mundial. Michael Schumacher passaria a integrar a Ferrari, que até então amargava um jejum de 16 anos sem títulos e que claramente não se encerraria naquela temporada. A única expectativa girava em torno do contratado como companheiro de Hill, o canadense Jacques Villeneuve. Jacques chegava à Formula 1 não somente com um sobrenome famoso, mas também como campeão da Indy e vencedor da Indy 500.
E logo de cara, Jacques mostrou que não seria um adversário fácil. Liderou boa parte do GP de abertura, em Melbourne, e uma falha no motor o obrigou a tirar o pé, abrindo caminho para a primeira vitória de Hill na temporada. O Inglês, aliás, emplacou 3 vitórias no início da temporada,  Contra dois segundos lugares e um abandono do canadense.  Em Nürburgring, Villeneuve conquistaria sua primeira vitória, e Hill seria apenas o quarto. Mas em San Marino Hill voltaria a vencer, em uma corrida sem pontos para Jacques.
Em Mônaco, um dos GP’s mais improváveis  da história: Com grande parte dos pilotos principais fora da corrida (aliás, maior parte dos pilotos, já que somente 7 terminaram o Grande Prêmio), Olivier Panis não só sobreviveu à quebras e batidas como faturou o último GP da história da equipe Ligier, além de conquistar sua única vitória. O mais curioso, é que devido à festa em comemoração à sua vitória, o time acabou se esquecendo de pagar o hotel para Panis...
Na corrida seguinte, debaixo de uma forte chuva na Espanha, Hill não terminou e Villeneuve subiu ao pódio na terceira posição, naquela que seria a primeira vitória de Michael Schumacher pela Scuderia Ferrari. Hill venceria as duas etapas seguintes, No Canadá e na França, com Villeneuve formando dobradinha. Em casa, Hill não conseguiu terminar, e Villeneuve levou a segunda etapa da carreira. Na corrida seguinte (Hockeinhem), nova vitória de Hill, com Villeneuve na segunda posição.

Mesmo com a vitória de Jacques com Hill em segundo na Hungria, ficava claro que embora fosse rápido, o canadense não estava adapto o suficiente à Fórmula 1. Após 12 corridas, Hill havia faturado 7, contra apenas 3 de Villeneuve. Eram 79 pontos de Hill contra 62 de Villeneuve àquela altura do campeonato, faltando apenas 4 corridas. O curioso da história, é que a falta de brilho de Hill e o fato de Villeneuve não estar totalmente adaptado à Fórmula 1, levavam a mídia a produzir mais matérias sobre os pais dos candidatos ao título do que sobre eles próprios. Uma das matérias tinha o título de “À sombra dos pais famosos”, o que deixava claro o que cada um significava para a Fórmula 1 naquele momento. Damon, o filho do Mister Mônaco. Jacques, o filho do Príncipe da Destruição. E as TV’s exibiam repetidamente imagens de Graham voando pelas ruas do Principado e de Gilles voando baixo com o carro geralmente aos pedaços.
Jacques descontou 4 pontos na etapa da Bélgica, quando foi segundo e Hill o quinto, e após nenhum dos dois pontuar na Itália, descontou mais quatro em Portugal, quando venceu com Hill em segundo. O campeonato seria decidido em Suzuka, mas com Hill 9 pontos à frente, poucos acreditavam que Villeneuve pudesse levar o título que faltou ao seu pai. E de fato: Hill seguiu firme na liderança, enquanto Jacques abandonava com problemas em uma das rodas.
Para manter a tradição daquela década, Hill seria dispensado pela Williams justamente após conquistar um título, como havia acontecido com Mansell em 1992 e Prost em 1993. Foi para a Arrows no ano seguinte e acabou por encerrar a carreira na Jordan. Mostrou boas performances nos times pequenos, mostrou que era um bom piloto, mas nada além disso. E para um piloto nada além disso, foi tremendamente injusto desmerecer seu título, algo que muitos melhores do que ele jamais alcançaram.

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Amigos da Velocidade


Antes de falar sobre a despedida da categoria máxima do esporte a motor no calendário de 2013, quero agradecer a oportunidade de poder fazer parte do time deste conceituado blog.
Sempre busquei um espaço para poder expressar minhas opiniões, emoções e ideais sobre a minha maior paixão, porém, nunca encontrei um espaço tão imparcial e sem vínculos ou interesses maiores para fazê-lo.
Até ontem, como leitor, crítico e fã do Falando de Corrida eu tinha um espaço para encontrar amigos das pistas e com eles debater sobre qualquer assunto ligado ao universo do automobilismo e isso por si só já me fazia feliz, mas hoje, como colaborador direto do blog, me sinto mais à vontade ainda para compartilhar e aprender  com vocês leitores, que como eu vivem e amam este assunto.
Ao mesmo tempo em que estou entrando no Falando de Corrida, vemos a F1 se despedindo em 2013 e deixando para trás alguns fatos que marcaram os fãs por todo o mundo e é sobre alguns deles que pretendo falar neste artigo.
Para quem não é alemão, esta temporada se mostrou um tanto quanto monótona, exceto por alguns incidentes e punições que mostram o quanto a Fórmula 1 e suas regras podem engessar a emoção tanto de pilotos quanto de espectadores.

Mas durante a temporada, vimos também cenas que reacendem a chama humanista que a tanto tempo não presenciamos e que devem ser consideradas não só como uma afronta aos dogmas e regras impostas pela Federação Internacional do Automóvel e suas afiliadas mundo a fora, mas também como amostra de que apesar de toda tecnologia embarcada em um bólido(que mais parece uma nave espacial, que praticamente se guia sozinha), existe um ser humano por trás do volante, que ainda controla aquela cavalaria toda.
Quem aqui não relembrou da carona que Senna pegou na Willians de Mansell em 91 quando viu Mark Weber sentado na Ferrari de Alonso em Cingapura?
Sim, naquele momento vimos dois ícones do “moderno” esporte a motor deixarem claro quem é que manda no espetáculo e que o coração fala muito mais alto que as vontades dos Bernies e Charlies da vida.
Zerinhos ao fim do GP?

Por baixo daquela fumaceira toda, o que vejo é mais uma vez a vontade humana de se sobressair sobre a máquina, demonstrando que o carro vai para onde o piloto manda e não para onde a equipe ou a organização quer?
Por favor, não confundam vontade humana com rebeldia ou anarquismo, até porque sabemos que existem regras que vieram para trazer mais segurança ao espetáculo e se hoje em dia não precisamos lamentar mais mortes de grandes pilotos como Senna é em partes responsabilidade delas.
Só que algumas vieram e se instalaram por interesses obscuros e fora do contexto da competitividade e com os anos o que vemos é a Fórmula 1 tentar recuperar um pouco da emoção...
Algumas tentativas propositais como o DRS, o Kers (o primeiro realmente trouxe um pouco de emoção as tentativas de ultrapassagens) e outras nem tão propositais assim como a incerteza de término de corrida que os mal projetados pneus  Pirelli trouxeram à tona durante algumas etapas.
Muito mais do que uma simples despedida, Mark tirando o capacete ao término da prova, foi uma amostra de que existe um piloto atrás da máquina e um puxão de orelha para aqueles que organizam o espetáculo, um puxão de orelha que diz que a categoria máxima do automobilismo só voltará a ser tão emocionante como em outrora foi a partir do momento que as inovações forem pensadas para o condutor e não somente para o conduzido.
Quem sabe a resposta esteja mais próxima do que imaginamos e a inovação na verdade seja uma reinvenção na qual tenhamos alguns itens revisitados e estudados.
Será que o retorno do câmbio manual seria tão ruim assim?
Obviamente representaria um retrocesso tecnológico, mas, talvez também um progresso na emoção. (tanto dos espectadores quanto dos pilotos que teriam que reaprender a guiar e com isso surgiriam novos desafios)
Enfim, são com devaneios assim que este que vos escreve se apoia para continuar sonhando com uma Fórmula 1 melhor.
No geral, falando ainda sobre esta temporada, mérito do alemãozinho Vettel, que soube como ninguém usar seu equipamento e com uma regularidade ímpar quebrou recordes e de uma vez por todas escreveu seu nome nos anais da F1.
Ano que vem será veremos um Felipe mais “solto”? um Kimi desafiando e elevando o nível do espanhol Alonso?(que talvez por falta de equipamento ou excesso de conforto como primeiro piloto tenha se acomodado no cockpit de sua Ferrari) e talvez até mesmo alguém tentando quebrar o domínio da RBR e seus carros perfeitamente equilibrados ?
A volta do motor V6, promete sacudir um pouco as coisas, trazendo novos projetos, novos acertos e exigindo novas habilidades dos engenheiros e pilotos.
E você? O que achou desta temporada? Sonha com algo melhor para a F1 ou está bom do jeito que esta?
(se você for da terra do Vettel ou do Schumacher, com certeza faz pelo menos uma década que você não tem do que reclamar).


Por Adriano Lima