Falando de Corrida

Novidades, lembranças e curiosidades do nosso esporte a motor

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quarta-feira, 21 de novembro de 2012

E Davi venceu Golias



Quando a Penske demitiu o polêmico Kurt Busch por mau comportamento no final da temporada passada, poucos acharam que Brad Keselowski daria conta do recado no tradicional time de Roger Penske. Aliás, embora tradicional, o time jamais havia conquistado um título na categoria principal da NASCAR, e nem sequer é considerado um time grande, como a Hendrick ou Joe Gibbs. Keselowski então era apenas mais um jovem piloto talentoso disposto a brigar por vitórias em meio aos já consagrados Matt Kenseth, Tony Stewart, Kyle Busch e os dois principais nomes da categoria, Jeff Gordon e Jimmie Johnson. Mas a história não foi bem assim.
Brad comeu pelas beiradas e mostrou ter a frieza típica dos campeões. Venceu corridas de maneira convincente e ajudou a manter alto o moral do time, que depois de ter de demitir Busch, teve problemas com seu substituto, AJ Allmendinger, que foi pego no exame antidoping e também foi demitido da Penske. A atmosfera contribuiu de forma negativa, mas não abalou Brad, que conseguiu chegar ao Chase e venceu logo de cara. Sempe entre os primeiros, perdeu no Texas depois de um duelo espetacular com Johnson e assim deixou de liderar o campeonato. Para muitos, era o fim da campanha de Brad. Afinal, ter como adversário o maior campeão dos últimos 10 anos correndo pelo melhor time poderia ter colocado sobre Brad uma pressão maior do que ele talvez pudesse suportar. Mas sua frieza virou o jogo.
Na penúltima etapa, em Phoenix, Johnson forçou tudo o que não podia. Resultado: Terminou no muro. Além disso, viu Brad escapar da confusão causada por Jeff Gordon (que resolveu dar o troco em Clint Bowyer em um caso que vinha desde Martinsville) e assumir a liderança com 20 pontos à frente na última etapa. Jimmie teria que terminar 20 posições à frente se quisesse ser campeão. Não era fácil, mas mesmo assim a imprensa chamou a briga de “Davi X Golias”, afinal, Jimmie é sempre Jimmie, como ele provou em várias corridas. Em uma entrevista na semana da prova, ele disse que uma hora ou outra Brad teria que errar. Seu pensamento era plausível, afinal ele, multicampeão, errara.
Em Homestead Brad largou na frente, mas foi com cuidado. Disse em entrevista que manteria o seu ritmo e lembrou de Ayrton Senna, que resolveu atender ao pedido da equipe e diminuir o ritmo em Monaco no GP de 1988 e terminou no guard-rail. Ele não queria correr este risco, mas também evitou riscos desnecessários. Evitou uma briga mais forte e não ofereceu muita resistência à Johnson. Este resolveu optar pela estratégia, e apoucas voltas após uma parada, foi para os pits aproveitando uma nova bandeira amarela enquanto Brad permaneceu na pista. A jogada foi esperta: Mesmo tendo voltado poucas voltas após a sua parada, isso o deixaria com vantagem. Quando Brad foi para sua penúltima parada, voltou bem atrás de Johnson, sendo que ainda haveria uma parada para cada um. Johnson era então o líder do campeonato. Mas a equipe jogou tudo fora, quando um mecânico não colocou uma das porcas no pneu traseiro esquerdo e ele teve que voltar. A vantagem foi para o espaço, mas ainda havia alguma esperança. Poucas voltas depois, ele abandonaria por problemas mecânicos. O título era de Brad.
Foi um campeonato com muitos significados. O primeiro do jovem Brad, com apenas 3 temporadas completas, o primeiro da Penske depois de mais de 40 anos e o último da Dodge, que na falta de um grande time para o próximo ano resolveu deixar a categoria. O velho Roger Penske pôde finalmente comemorar um campeonato que foi ganho nos detalhes, assim como ele perdeu o da Indy, pouco mais de 2 meses atrás. Para Brad, foi a concretização de um sonho de sua família, que foi à falência para que ele pudesse chegar lá. Para o torcedor, foi mais uma demonstração da força do esporte, e de que automobilismo é muito mais do que driblar regulamentos para andar na frente.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Luz apagada



O automobilismo nem sempre é um esporte justo. Não é como tênis ou atletismo, onde um atleta depende 100% de si para se destacar. Um carro acima ou abaixo da média pode deturpar o real potencial de um piloto, e não é incomum vermos pilotos apenas um pouco acima da média serem chamados de gênios (vide Fernando Alonso) e vermos gênios serem considerados apenas bons pilotos (como Kimi Raikkönen e Sebastian Vettel). Tudo stá no interesse em que a mídia tem em explorar aquele que dá mais audiência ou vende mais jornal, seja por talento ou por polêmica, isso não importa. E hoje fico pensando: será que quando não considerei Schumacher como a mídia pintava eu estive errado?
Claro que os números jogam contra mim. Em sua época de ouro, foi colocado em um patamar acima de Ayrton Senna e Jim Clark. Foram 94 vitórias, mas até hoje não me lembro de uma exibição como aquela de Jim em Monza ou de Senna em Donington, derrotando, entre outros, o próprio Schumacher. Lembro-me dos elogios rasgados após seu pentacampeonato, mas sempre teve aquele que discordou. Hoje, me sinto mais à vontade para dizer coisas que pensava há dez anos.
Schumacher sucedeu 4 pilotos que de 1981 a 1993 venceram quase todos os mundiais (sequencia quebrada apenas por um certo Niki Lauda em 1984). Aos poucos eles foram se retirando, até o acidente fatal de Ayrton Senna em 1994 culminar com o fim dessa era. Não havia teoricamente na pista um piloto sequer que tivesse um talento destacado (apenas Karl Wendliger que já havia competido com o alemão, mas um acidente 15 dias depois da morte de Ayrton selou seu destino na F1). Mika Hakkinen estava apagado devido a uma fraca McLaren, mas de qualquer modo era o tipo de piloto que não chamava a atenção dos jornais. Conclusão: Schumacher e a Benetton ganharam o título usando de diversas irregularidades, e mesmo assim ele teve que jogar o carro em cima de Damon Hill para ser campeão após um erro primário. Mas para a mídia, foi uma manobra corajosa.
No ano seguinte um título legítimo, e depois sofreu até conseguir seu primeiro título pela Ferrari, perdeu mundiais para Hill, Villeneuve e Hakkinen, e só passou a dominar a categoria quando este último decidiu que não queria mais correr grandes riscos. A partir daí, as coisas não foram tão difíceis para Schumacher, que pilotava o melhor carro da F1 e tinha um companheiro que não tinha autorização para destroná-lo. E sempre fiquei na dúvida: será que se Rubinho tivesse liberdade, a coisa não seria diferente?
Quando faltou o melhor carro, Schummy sumiu da briga. Em 2005 teve um desempenho apenas mediano, e em 2006 ficou claro que podia ser derrotado, após a chegada de Felipe Massa. Tomou a decisão certa e se retirou, não no auge mas ainda competitivo. Ou seria por uma equipe competitiva?
Em 2010 Schummy viu uma chance de ouro: Pegou uma equipe oriunda da meteórica Brawn, a equipe de maior sucesso na história. Um time que praticamente sem orçamento destruiu a concorrência em 2009 e foi adquirida pela Mercedes com recursos astronômicos. E se aquela era a continuação da Brawn, só que com um caixa respeitável, claro que Schummy viu a chance de repetir os feitos de 2002 e 2004. Caiu do cavalo. O desempenho pífio o empurrou para fora da F1 de maneira melancólica e de certa forma vergonhosa, com muitas portas fechadas.
Quem vê Schumacher acertando a traseira dos adversários pode estranhar, mas a verdade é que o alemão não mudou nesses 21 anos. Em seu início de carreira ele causava tantos acidentes como hoje. Um exemplo clássico foi o strike na largada do GP de Magny Cours de 1992, quando Ayrton Senna o chamou de idiota. Claro que ele era rápido, sem dúvida, o que fez com que Flavio Briatore o lapidasse e oferecesse recursos para transformá-lo em um grande nome. Quando saiu das asas de Flavio foi inteligente para moldar a Ferrari da maneira que precisava, e somando o fato de que não teve bons adversários e teve o melhor carro nas mãos durante um bom tempo, aproveitou tudo isso a seu favor. Mas seu retorno acabou mostrando ao mundo que seus números foram mais uma questão de sorte em estar no local certo e na hora certa, o que não aconteceu em seu retorno. 10 anos atrás quando eu dizia que Schumacher não era tão bom assim me diziam que eu estava louco, e eu dizia que queria vê-lo em uma condição desfavorável para tirar a prova. A situação veio, e eu estava certo, assim como muitos outros.
Talvez Schummy tenha se inflamado com as opiniões da época, acreditou que era uma espécie de semideus insuperável e superestimou seu próprio talento. E em uma época como a de hoje, tão rica em talentos, não foi capaz de se sobressair em um carro médio, sendo derrotado até por seu companheiro de equipe (que não é nenhum gênio). Perdeu a oportunidade de permanecer como mito, e sempre que alguém exaltar seus números, terá como resposta “Não se esqueça de que quando ele voltou foi diferente”. Schummy saindo pela porta dos fundos nada mais é do que um sinal dos novos tempos, em que a F1 é um esporte de risco não tanto físico, mas sim de imagem. Um esporte onde muitas vezes o mito supera o homem, e em outras, o homem apaga o mito.

domingo, 4 de novembro de 2012

"Eu sei o que estou fazendo"



São necessárias condições adversas para mostrar ao mundo quem são os grandes pilotos. Ayrton Senna, por exemplo, venceu muitos GP’s de ponta a ponta com o melhor carro nas mãos. Mas foram corridas como Interlagos em 91 e Donington em 93 que mostraram ao mundo do que ele realmente era capaz. E foi assim que Sebastian Vettel mostrou ao mundo que não é campeão somente por ter o melhor carro. Todo o azar possível esteve ao seu lado neste final de semana. Uma punição o jogou para o final do grid, largou dos boxes e teve dois incidentes logo no início. Parou para trocar o bico e caiu para o fim do grid de novo. Passou por Romain Grosjean e devolveu a posição por risco de ser punido por usar a faixa de fora da pista. Passou Romain e foi para cima, até que todos tiveram que parar e ele acabou assumindo a segunda posição. Parou de novo, caiu para quarto e passou Jenson Button em uma manobra espetacular no final da corrida.
Na frente, um não menos espetacular Kimi Raikkönen. Largou espetacular, não cometeu um erro sequer e acabou presenteado com a quebra de Hamilton na volta 19. A partir daí, a corrida foi dele. E nem o Safety Car, quando tinha 9 segundos de diferença para o segundo colocado lhe atrapalhou. E quando recebia instruções da equipe, pedia para ficar em paz porque sabia o que fazer. Beleza, se ele falou, é porque é, e ponto final. E foi o que mostrou ao falastrão do grid, que coloca a culpa em tudo e todos a cada derrota, se colocando acima de qualquer criatura dentro do circo da Formula 1. E hoje ele não perdeu para Adrian Newey. E contou com a ajuda de Jenson Button para não perder a segunda posição. Do contrário, Vettel levaria fácil.
O GP foi muito movimentado, embora ninguém esperasse por isso em Yas Marina. Em partes, o responsável foi Sebastian Vettel (ou seria Adrian Newey?) com suas ultrapassagens espetaculares. Teve mais uma besteira de Narahim Khartikeyan, que tentou o suicídio e esqueceu que vem gente atrás. Uma hora ele ainda consegue se machucar ou machucar alguém. Assim como Romain Grosjeain, que não consegue ficar uma corrida sem fazer das suas. E tanta gente boa brigando por vagas na Formula 1...
Só não consegui entender uma coisa: Por que tanto aclamaram a corrida de Alonso. Aliás, por que aclamam tanto o espanhol. Está claro que não é o melhor. É bom, mas não o melhor. Foi humilhado por Raikkönen no final, passou na prática somente Webber (cada vez mais lento), Button e Maldonado. Não fez menos do que se esperava de alguém tão “genial”, que conta com a maior estrutura da F1 e até agora não fez nada além de esperar por quebras. Ok, talvez Kimi tivesse sido segundo hoje. Mas conta com uma Lotus que é o resto daquela Renault que Alonso deixou em 2009. Reflitam.
Aliás, outra coisa que deixou o GP ainda mais especial foi ver o carro negro e dourado vencendo de novo. Há 26 anos não víamos esta cena (a última vitória da Lotus foi em 87, mas nas cores da Camel). Kimi se colocou ao lado de Emerson Fittipaldi, Mario Andretti, Ayrton Senna e outros grandes nomes que honraram essas cores. Com poucas palavras e muita ação, Kimi mostrou mais uma vez o piloto que é. E ao vê-lo conversando com Vettel ao final da corrida, percebi que lá estão dois grandes esportistas, os melhores pilotos da F1 atual. Os dois que além de tudo, fazem Fernando Alonso se obrigar a ficar calado.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

O Rumo Natural



Depois de um início surpreendente, com tantos pilotos e equipes diferentes vencendo, a Formula 1 chegou à Ásia e voltou a tomar seu rumo natural. Ao que tudo indica, o campeonato que começou diferente dos últimos 29 anos, tem tudo para terminar como os últimos 2, com Sebastian Vettel  na frente. Alonso provou que não dá para ser campeão contando somente com a sorte, tem mostrado que não é superior ao companheiro de equipe e a Ferrari, mais uma vez, toma na cabeça por manter a arcaica filosofia de um piloto só. Não aprendeu a fazer diferente com aconteceu em 2007 e 2008, quando Kimi e Felipe tinham igualdade e a equipe só resolveu dar preferência quando realmente só um piloto poderia levantar a taça. Deu certo com Kimi e por muito pouco, quase com Felipe. Em 2008, o mundial de construtores foi para Maranello mesmo com Felipe não levando o título, de 2010 para cá, nem isso. Mas a equipe não aprende, e nada me faz crer que será diferente em 2013. Azar da equipe, que não deixou Felipe andar o que podia até agora para roubar pontos dos adversários. É o que dá acreditar que dá para levar o campeonato só baseado na sorte e na boa vontade da FIA em mudar os regulamentos em detrimento dos principais adversários.
A McLaren está decepcionando feio na fase final. O time que saiu de Monza como favorito depois de 3 vitórias seguidas, vem amargando abandonos de seus 2 pilotos e não vem andando mais do que a Lotus, que aliás supera o time de Woking no mundial de pilotos. Claro que muito se deve ao talento de Kimi Raikkönen, mas é inadmissível que um time desse porte falhe tanto a ponto de jogar o ano fora. A inconstância vem fazendo o time comer poeira, e se Hamilton fizer a Mercedes achar o caminho das pedras, terá feito um bom negócio.
Em contrapartida, a Red Bull vem remando na direção contrária. O trabalho da equipe não tem sido mais fácil do que o das demais, mas suas filosofias e dedicação têm trazido resultados que foram capazes de desequilibrar o Mundial. Fora um abandono ou outro, a equipe deu pouca chance ao azar, soube aproveitar os bons momentos e se virou bem nos maus. Tudo bem, ainda faltam 4 provas para o final, mas duvido muito que alguém chegue nos Rubro-taurinos, principalmente com Vettel ao volante. Verdade que Alonso tem um marketing muito maior. Mas pelo vimos nas últimas 5 temporadas, confete não leva título. E como disse um certo Ayrton Senna, “Não existe marketing no mundo que sustente um blefe”.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

A Nova cara do Mundial


O Mundial chegou à Suzuka com uma cara e saiu de lá com outra. Ok, foi uma prova monótona, daquelas que não ajudam em nada a manter acordado um cidadão às 3 da manhã, mas parece ter sido uma prova decisiva, como tantas vezes ocorreu nessa mesma pista, na mesma curva tantas vezes. Foi na pista em Mansell jogou o campeonato de 87 fora, onde Senna deu um show em 88, houve a polêmica de 89, polêmica em 90 e mais um erro de Mansell em 1991 (esses 2 últimos na mesma curva onde Alonso pode ter perdido o mundial desse ano, se tudo ocorrer dentro da normalidade). E Alonso que não se esqueça que foi em Suzuka, 2006, que Michael Schumacher praticamente abandonou a luta pelo título com uma quebra. É, a sorte também falta, e os erros acontecem.

O campeonato assumiu uma nova cara em outros aspectos, mas isso a partir de Singapura. As corridas emocionantes parecem ter acabado, e não dá pare se esperar muito das próximas pistas (apenas Interlagos tem um bom traçado até o final do ano), e a estratégia e as classificações serão decisivas daqui para frente. A Red Bull parece ter recuperado a velha forma que lhe deu os 2 últimos campeonatos, a McLaren permanece inconstante e a Ferrari é, mais uma vez, uma incógnita. Da Lotus não dá para se esperar muito, a não ser de seu piloto, que na minha modesta opinião tem sido o melhor até agora. Infelizmente, nesse ponto, automobilismo não é o esporte mais justo de todos, já que o piloto não depende 100% de si, como muitos se enganam em achar. Mas, falta de conhecimento já é outro papo...
Embora o caminho pareça traçado para o tri de Sebastian Vettel, eu não me arrisco a apostar em nada. Ainda tem muito chão até Interlagos, muita coisa pode acontecer e certamente sorte, azar e erros aparecerão nas próximas etapas. E ao que parece, as expectativas para as próximas etapas serão em torno de quem terá sorte, azar ou cometerá os erros. Parece pouco se compararmos ao campeonato que tivemos até Monza, mas estão aí os fatores que serão decisivos para a decisão do Mundial. E será que chega até Interlagos?
P.S.: Estão dizendo que a etapa de Austin não será transmitida pela TV Globo, que dará preferência à antepenúltima etapa do campeonato brasileiro. Não será a primeira nem a última vez, e só deixa claro o respeito que a mídia brasileira dá ao esporte a motor no Brasil. Como a Fox Sports, que tem dado uma péssima cobertura ao Chase da NASCAR. O jeito é procurar streaming, o que já está virando costume.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

As novidades em Suzuka



A Fórmula 1, que tantas vezes chegou à Suzuka para ser decidida, chega com grandes novidades. Com um campeonato para lá de aberto, o único GP interessante dessa fase do campeonato (que se divide entre Ásia e Oriente Médio antes de chegar à América) pode não ser palco de decisão de campeonato, mas vai ser palco de um momento, digamos, repetido na categoria: a aposentadoria de Michael Schumacher. O homem dos recordes da Formula 1 finalmente deixa a categoria, sem o brilho de outrora, superado como aqueles a quem Le mesmo superou. Segue-se o curso natural do esporte, assim como aconteceu com Nigel Mansell, Nelson Piquet, Niki Lauda, Emerson Fittipaldi, Graham Hill e tantos outros monstros sagrados. Um fim um tanto triste, após um retorno do qual esperávamos muito e pouco vimos. Um fim de carreira na Formula 1 não mais glorioso que o de Rubens Barrichello, que foi para a Indy depois de ficar sem cockpit.
Aliás, agora o desafio de tocar a Mercedes fica nas mãos de Lewis Hamilton. Tocar uma equipe que tinha tudo para decolar: Oriunda da meteórica Brawn e com Schumacher ao volante que viu apenas uma vitória de Nico Rosberg e resultados insatisfatórios que forçaram o alemão a uma retirada longe do que se esperava. Lewis troca uma McLaren que tem perdido corridas nos detalhes mas que tem um dos melhores carros do grid por uma Mercedes inconstante não só de corrida para corrida, mas durante cada corrida. Um carro que faz um início de prova fantástico mas que tende a desaparecer da zona de pontuação na parte final. Um desafio e tanto para alguém que está acostumado com a ponta, onde Schumacher sempre esteve quando guiava a Ferrari. Eu diria que a escolha da Mercedes foi mais acertada do que a do próprio Lewis, mas com Ross Brawn no comando tudo pode acontecer. E tomara, porque o brilho de Lewis é uma das peças-chave para uma F1 espetacular.
Quanto à McLaren e Sérgio Pérez, ambos saíram ganhando. O time trocou um piloto de ponta cujo temperamento fora da pista às vezes prejudica seu desempenho por um que tem amadurecido a cada prova, envergonhando o “talentoso” Fernando Alonso, de quem Pérez certamente não quis ser escudeiro, com toda a razão. Além disso, o mexicano chega em uma boa hora, já que a Vodafone deixa o time em 2013. Claro e Telmex serão muito bem vindas em tempos de crise, e trazidas por alguém competente. Era tudo o que o time precisava. E era tudo o que Pérez precisava.
Quanto à Ferrari, está pagando caro por sua vã filosofia. Embora Alonso ainda esteja na ponta do campeonato, o time está longe da briga pelos construtores pelo simples detalhe de ser um time de um piloto só. Não entende que Automobilismo é, acima de tudo, um esporte individual, e dificilmente irá convencer um piloto a não ser campeão em favor do time. Assim como Nelson Piquet não quis no passado, a maioria não quer agora. Fala-se em Hulkenberg e Di Resta, mas acho difícil alguém topar a parada e se relegar ao papel que Felipe Massa tem desempenhado no time. O mais antagônico está em Luca di Montezemolo defender um terceiro carro na categoria. Pela sua vã filosofia, a Ferrari deveria mesmo era defender que uma equipe pudesse ter apenas um carro. Um certo espanhol iria ao delírio. E não por seu talento, mas talvez porque saiba que na Formula 1 existem pilotos muito mais rápidos do que ele.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Monótono demais



A sorte de Fernando Alonso é realmente impressionante, e excede muito seu talento. Sua situação, aliás, me lembra a do mundial de 2005. Fernando não tinha o melhor carro e não era o melhor piloto. Kimi Raikkönen  tinha nas mãos um bom carro e um talento inquestionável. Liderou a maior parte das provas e via Alonso no seu retrovisor, até que de repente a McLaren simplesmente... parava. Assim como parou com Button e Vettel em Monza e com Lewis em Cingapura. A McLaren tem, de longe, o melhor carro dessa segunda metade do mundial e dois pilotos capazes. Só falta para o time confiabilidade. Ainda dá tempo de correr atrás dos pontos, basta não jogá-los nas mãos de Vettel ou Alonso, que voltou a reclamar do carro. Aliás, para a dupla da Ferrari não existe outro culpado que não seja o carro. O pneu não aquece, falta velocidade na reta, não é bom na parte sinuosa, etc. Talvez até seja, mas os pontos têm vindo da confiabilidade que falta para a concorrência, e disso não dá para se queixar.
E enquanto a imprensa rasga a roupa para Alonso, fico pensando como seria Kimi Raikkönen com uma Red Bull, uma McLaren ou uma Ferrari em suas habilidosas mãos. Sim, porque o cara voltou em uma equipe média depois de 2 anos parado e está na briga pelo título sem alarde e sem os holofotes que circundam o falastrão espanhol. É, como todo dirigente que se preza, Luca Di Montezemolo deixou seu ego ser maior do que a razão. Claro que os patrocinadores pesaram, mas sem dúvida ele dispensou a melhor opção do mercado...
Felipe Massa até que não fez feio ontem. Contou com a sorte quando o Safety Car foi à pista e conseguiu somar alguns pontos em um GP onde parecia estar morto e enterrado, e ainda fez uma bela ultrapassagem sobre Bruno Senna. Finalmente Massa parece estar acordando, embora eu (e muita gente) saibamos que ser companheiro de Alonso só é melhor do que estar na Marussia ou HRT, já que até mesmo times como a renascida Williams e a inconstante Lotus permitam que seus pilotos demonstrem seu talento. Mas cada um sabe seus objetivos...
Quem mostrou amadurecimento em Cingapura foi Pastor Maldonado. O venezuelano segurou Alonso enquanto esteve na pista (será que segurar o “gênio” é tão difícil assim?) e só não levou um quarto lugar porque o carro falhou. Paciência, mas serviu para mostrar que nem só de lambanças se fazem as corridas do impetuoso e rápido Maldonado. Aliás, outro que merecia um cockpit melhor.
Opiniões à parte, o início da “fase estranha” (é assim que chamo a parte do campeonato que só serve para encher calendário com pistas sem tradição nem traçado decente) foi muito chato se comparado com o resto da temporada. Faltaram disputas e só houve alteração no top 5 por causa das quebras de Pastor e de Lewis. Mas F1 é dinheiro. E com ele faltando na Europa, o jeito é aguentar GP’s feitos somente pelo visual.