Falando de Corrida

Novidades, lembranças e curiosidades do nosso esporte a motor

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quarta-feira, 18 de abril de 2012

Miscelânea Outra opinião – F1 (temporada 2012)


Amigos, a F1 anda emocionante, com 3 vencedores diferentes em 3 etapas, várias ultrapassagens e corridas muito disputadas... NOT!!

Pode ser má vontade minha ou rabugice, mas eu continuo em desagrado com a principal categoria do automobilismo mundial. Tirando a excepcional vitória de Alonso na Malásia, com um carro inapropriado, lento – quase um tijolo com quatro rodas – o certame anda esquisito.

Eu sou um saudosista, eis a verdade. Admiro os bólidos, mas é a destreza humana que me chama a atenção, e esta razão anda abalada desde que a F1 inventou estes subterfúgios a aumentar o desempenho (asas móveis, KERS e pneus que se deterioram). É claro que grandes pilotos ainda se destacam, não à toa vemos grandes exibições de Button e Alonso, principalmente, mas por outro lado vemos corridas pífias de Vettel, Schumacher e Massa, que inegavelmente são rápidos, porém gastam mais borracha que os outros.

Apenas como comparativo, transpondo essa realidade para décadas passadas, veríamos uma supremacia de Prost, Lauda e Piquet, enquanto que os Villeneuves, Rosbergs, Mansells e Sennas das vida não dariam seus shows característicos ou teriam as mesmas chances de vitórias por não chegarem com pneus em condições de disputa ao final dos GP’s.

Enfim, ainda espero que ao invés de calendários cheios, pistas mequetrefes e de soluções com padrão “professor aloprado” de qualidade para inflacionar a disputa (como a do desgaste dos pneus ou molhar a pista artificialmente) a F1 volte a se tornar o celeiro de grandes e arrojados pilotos que sempre foi, correndo pelas pistas tradicionais com as quais sonhamos acordados a ponto de memorizar as curvas e com o talento e braço sobrepujando qualquer estratégia ou táticas de equipe.

terça-feira, 17 de abril de 2012

I am Indy!


Neste ano, quem gosta de automobilismo não tem muito do que reclamar. Se na Formula 1 parece que as limitadas regras de projetos equilibraram o campeonato, na Indy os novos carros fizeram a categoria voltar ao que um dia foi. Os belos pegas em Long Beach foram de encher os olhos e motivo suficiente para deixá-los grudados na tela.
Desde a largada, quando Joseph Newgarden tentou ir para cima do tetracampeão Dario Franchitti, até a  fantástica chegada com Simon Pagenaud grudado em Will Power, a corrida foi cheia de incidentes, acidentes e muitas, muitas ultrapassagens. E mais uma vez Will Power mostrou competência para enfrentar os problemas que o jogaram para o meio do grid.
Com a troca geral de motores da Chevrolet, cada um dos pilotos equipados com o propulsor foi jogado 10 posições para trás, o que fez com que os pilotos da Honda se dessem bem no começo da prova. Os pilotos Chevy então tiveram que fazer estratégias mais arriscadas,  já que a pista californiana não oferece pontos seguros de ultrapassagem, como Newgarden mostrou logo na largada. Ele tentou passar Franchitti por fora na primeira curva e, claro, acabou na barreira de pneus. Marco Andretti tentou ultrapassar Graham Rahal e voou espetacularmente, também indo parar na barreira de pneus.
Enquanto isso, Will Power resolveu fazer o que sabe de melhor, e aliado à uma estratégia arriscadíssima, pilotou eficientemente, ultrapassando quando necessário sem correr grandes riscos. No trecho final da prova, ele era o segundo, ao passo que Simon Pagenaud voltou aos boxes logo atrás de Rubens Barrichello, que também tentava fazer uma parada a menos. Com pneus novos, Simon logo passou por Rubinho, que entrou nos boxes em seguida. Mais algumas voltas e Pagenaud já era o segundo, descontando quase 2 segundos por volta, enquanto a Penske exigia que Power economizasse combustível.
A estratégia funcionou perfeitamente, e Pagenaud entrou na última curva colado a Power, mas sem espaço suficiente para tentar uma manobra. Pouco atrás, Hélio Castroneves errou e acertou Rubinho, causando um congestionamento que impediu que quem vinha atrás conseguisse entrar na reta. Rubens acabou em nono.
Daqui menos de 15 dias a Indy será aqui no Anhembi, felizmente pertinho de casa.  É a chance de poder acompanhar de perto uma categoria que está renascendo a cada corrida, da melhor maneira. Um verdadeiro banquete para quem gosta do verdadeiro automobilismo.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Finalmente, F1 do jeito que a gente gosta!



São 3 vencedores diferentes, de 3 equipes diferentes em 3 GP´s na temporada de 2012. Sim, é o tipo da Fórmula 1 da qual todos nós gostamos, ainda mais com carros andando tão próximos uns dos outros. Parece que dessa vez a FIA acertou nas limitadas regras técnicas, o que não só trouxe mais emoção com também grandes surpresas. E aí quem via a Mercedes como leoa de treino, teve de engolir uma incontestável vitória de um Nico Rosberg andando com perfeição durante os principais dias no final de semana. Para a Mercedes, foi uma vitória para se afirmar como equipe grande, que era esperada desde que o time surgiu com base na meteórica Brawn. Para Nico, o fim de uma árdua espera de alguém que sempre andou bem mas até agora não havia subido ao degrau mais alto do pódio. Para Schumacher, foi seu dia de Rubinho. Viu o companheiro vencer antes dele e ainda ficou na mão depois de um erro no pit stop. O mundo dá voltas...
Mas Nico não foi a única surpresa da prova. Kimi Raikkönen deu show e só não marcou pontos por causa de um erro de estratégia do time. Mas provou que vai brigar por pódios ainda neste ano. E outro que fez bonito foi Bruno Senna. Aliás, a Williams vem fazendo muito bonito nesse início de temporada. Tem superado a Ferrari com facilidade e só não marcou pontos na Austrália por causa do erro de Maldonado. Desde então o time tem sido fraco nos treinos e compensando isso em ritmo de corrida, em boa parte por mérito dos dois pilotos, que têm feito a diferença em um grid mais equilibrado.
Quem não tem feito a mínima diferença é a dupla da Ferrari. Pede-se a substituição de Massa, mas acho que na verdade uma dupla substituição seria bem vinda, Tirando a vitória em condições adversas como a da Malásia, Fernando Alonso não tem feito mais do que pilotos de times como Sauber e a já citada Williams. Tem tomado manobras de pilotos como Senna, Pérez e Maldonado, que mostram talento suficiente para ocuparem um lugar melhor do que os carros em que pilotam. E não adianta Fernando reclamar do carro e nem querer sobreviver de elogios com o único objetivo de angariar fundos. É melhor o cara começar a mostrar talento (se é que um dia o teve), pois como disse um certo Ayrton Senna, não existe Marketing no mundo que sustente um blefe.


terça-feira, 27 de março de 2012

Épica


Alguns GP’s entram para a história justamente pelas adversidades, que muitas vezes evidenciam talentos. A chuva foi quem mais fez isso ao longo da história, e Ayrton Senna ao menos por 3 vezes se beneficiou do mau tempo, em Monte Carlo (1984), Interlagos e Donington (1993). O GP da Malásia não foi diferente, sobretudo para Sérgio Pérez. A pilotagem demonstrada pelo mexicano foi suficiente até mesmo para relegar ao segundo plano a não menos brilhante conquista de Fernando Alonso. Além disso, Pérez justificou o interesse da Ferrari, embora claramente o time não seja o melhor para jovens talentos nas atuais condições.

Além de Alonso e Pérez, fica impossível não destacar outros dois pilotos que simplesmente deram show, com inúmeras ultrapassagens: Bruno Senna e um certo Kimi Raikkönen. Bruno teve um começo conturbado, mas depois da relargada acabou estabelecendo um ritmo forte e uma pilotagem precisa. Não errou mesmo com a pista em condições ruins, passou por gente como Schumacher e terminou na frente de gente como Vettel. Conquistou em um único GP mais do que a Williams fez durante toda a temporada passada, e escapou de errar como seu companheiro fizera em Melbourne. Enfim, acabou fazendo mais do que realmente todos esperavam dele.
Quanto à Kimi Raikkönen, esse dispensa qualquer tipo de comentário. Seu talento e sua velocidade não se abalaram em dois anos afastado da F1. Kimi é o mesmo da estréia 11 anos atrás, voando e ultrapassando do jeito que ele gosta de fazer. Não me surpreenderá se ele conquistar alguns pódios ao longo da temporada, e eu ficaria muito feliz se um dos grandes o chamasse. E embora Alonso tenha feito o impossível, continuo achando que o finlandês teria feito muito mais se continuasse na Ferrari.

Infelizmente, mais uma vez, o destaque negativo ficou para Felipe Massa. O brasileiro mais uma vez não apresentou desempenho próximo ao seu companheiro de equipe, e a imprensa italiana pede sua cabeça. Fica a pergunta: O que será que realmente está acontecendo com Felipe?

Bom começo


Ver um carro da Penske, com o embleminha da Pennzoil, e motor Chevrolet em uma tarde de domingo é bom o suficiente para nos levar de volta no tempo. Escutar aquele motor turbo e saber que a verdadeira Indy está de volta parece até bom demais para ser verdade, mas felizmente é verdade. Os bons tempões da Indy estão de volta, e quem se deu melhor nesse recomeço da categoria foi Hélio Castroneves. O Homem Aranha soube aproveitar as oportunidades de ultrapassagem, teve a melhor estratégia e soube o momento certo de acelerar apenas para administrar a vantagem conquistada. E deu certo, levou o novíssimo Dallara-Chevrolet ao triunfo em sua terceira vitória nas ruas de St. Petersburg.
A conquista de Hélio também foi uma vitória mais do que especial para a Chevrolet, em seu retorno à categoria. A equipe é uma das maiores vencedoras das duas antigas categorias (CART e IRL), conquistou, entre outras, duas Indy 500 pelas mãos de Emerson Fittipaldi e uma nas mãos de Helinho, em 2002. Nada como voltar vencendo a segunda principal categoria de monopostos do mundo.
Quem não se deu muito bem na estréia foi Rubens Barrichello. Seus problemas acabaram sendo proporcionais às expectativas em torno de sua estréia, e o brasileiro acabou apenas na 16ª posição, depois de ter treinado muito pouco na sexta-feira e ter sido atrapalhado por uma bandeira amarela em sua volta rápida no classificatório. Além disso, Rubens não se deu muto bem com a estratégia adotada pelo time. Não tem problema, fica para a próxima...
A tradicional comemoração de Hélio acabou sendo mais especial do que de costume. Ao subir no alambrado para comemorar mais uma vitória, ele o fez ao lado da placa da “Dan Wheldon Way”, homenageando o colega que perdeu a vida na última etapa do ano passado. Dan foi também o responsável pelo desenvolvimento do carro atual. E além de saudades, percebe-se que deixou um ótimo trabalho.

terça-feira, 20 de março de 2012

Um bom começo



Uma única corrida é insuficiente para avaliarmos como será o decorrer do campeonato, mas dá uma boa idéia de como o campeonato pode transcorrer. Não vou levantar estatísticas de quantos dos últimos vencedores em Melbourne foi o campeão, ou quantos vencedores da primeira etapa foram campeões ao longo da história porque isso não quer dizer praticamente nada, mas pelo desempenho apresentado pela McLaren, acho que neste ano a Red Bull não terá um passeio tão tranquilo quanto o do ano passado.
Button venceu o GP com sobras, deixou as últimas voltas somente para administrar a vantagem que conquistou após a saída do Safety Car e mostrou que o carro do time de Woking pode andar bem sem ser levado no limite. A Red Bull andou próxima, e mostrou que sim, é mais uma vez forte candidata ao título apesar de não ter vencido. Mark Webber perdeu algumas posições na largada mas fez boa recuperação, mesmo tendo ficado preso atrás de Nico Rosberg durante algumas voltas (e não foi por falta de tentativas, estava difícil mesmo ultrapassar em Melbourne, mesmo com todos os aparatos artificiais da FIA). Quanto à Mercedes, Nico não andou to bem, e Schummy não pode explorar todo seu potencial por causa de uma quebra no câmbio. Fica para a próxima...
Agora vamos à Ferrari. O Time foi incapaz de estabelecer um bom ritmo, Felipe Massa mais uma vez deixou a desejar e acabou batendo em Bruno Senna, que também não estava lá indo muito bem. Fernando Alonso também não andou nenhuma barbaridade, era nítido que em uma pista com melhores oportunidades de ultrapassagem ele teria perdido a posição fácil para Pastor Maldonado, e olha que a Williams não possui lá um grande carro, embora tenha evoluído muito desde o ano passado, pelo menos na Austrália. Maldonado acabou errando na última volta, e no lugar de crucificá-lo, vou na verdade, parabenizá-lo. Acho que não só eu, mas todo mundo que curte corridas, prefere um piloto que bata tentando uma ultrapassagem do que um capaz de ficar a corrida toda atrás de outro piloto só para conquistar um ou dois pontos. Pastor mandou bem.
E no pelotão do meio, grande espetáculo, principalmente nas brigas entre Kimi Raikönen e Kamui Kobayashi. Kimi mostrou que continua em forma, não perdeu a mão, e Kamui mais uma vez mostrou que se tivesse um bom carro seria capaz de muito mais. Não sei se os dois acharam divertido, mas para que assistiu a condução dos dois, deu para matar um pouco a saudade do que é F1.
Em suma, a temporada começou bem. Evolução na Williams, na Caterham, uns bons shows aqui e ali e uma história que não terminou igual às últimas corridas, com o hino austríaco do time rubro-taurino tocando no pódio. Só espero que continue assim, aí quem sabe a F1 dá aquela ressucitada de que tanto precisa, tanto em termos de emoção quanto de público. Do contrário, o negócio vai ficar feio.

quinta-feira, 1 de março de 2012

DeJavu


Se voltarmos pouco mais de 12 anos no tempo, vamos lembrar daquilo que para a imprensa brasileira foi um, digamos, “período de esperança”. Rubens Barrichello assinara contrato com a Ferrari, e segundo os jornalistas, lá era o melhor lugar para um piloto estar. Só esqueceram de citar que desde que o piloto fosse Michael Schumacher. E aí foi aquilo, a equipe jurando que havia igualdade e Rubinho garantindo isso, até que dois anos depois aconteceu o infame caso de Zeltweg. Aí para desespero da imprensa, quem havia voltado a acompanhar a categoria na esperança de torcer para um brasileiro voltou a procurar outros esportes, e tudo mundo sabe como foi em seguida. Não, a culpa não foi 100% de Rubinho e nem da torcida, embora eu ache um absurdo brasileiro só ser patriota nos esportes em que um brasileiro vai bem, mas é parte da nossa rica cultura e não há muito o que se fazer quanto a isso. Mas o fato é que 12 anos depois, o erro pode se repetir, mudando apenas a rede transmissora e a categoria, nem o piloto mudou. Não que Rubinho não seja capaz de andar bem na Indy e nem vou tentar prever o seu futuro. Levantar hipóteses tanto pessimistas quanto otimistas é a maior idiotice que se pode fazer, mas idiotice igual é colocar sobre um piloto, seja ele qual for, uma pressão totalmente desnecessária, fazendo dele como um messias do esporte a motor.
Rubinho curtiu a Indy, tem andado rápido nos testes, mas devemos apontar que sua equipe não faz parte dos times de ponta e que ele ainda não pôde testar seu ritmo de corrida em um carro onde é necessário um esforço maior do que na Fórmula 1. Claro, acho ótimo que haja grande divulgação do esporte, dentro de pouco mais de um mês teremos uma etapa em solo brasileiro, expectativas alimentam o clima de festa, mas... e para Rubinho? Já não bastou esse tempo todo de pressão e expectativas que não ajudaram em transformá-lo em mais do que uma eterna promessa?
Rubens está no caminho certo, curtiu a nova fase da carreira, está se adaptando muito bem ao carro, correrá ao lado de alguém que é quase como um irmão e estará em um ambiente muito menos hostil, trocará a selva da F1 por uma Indy quase familiar. Espero que a mídia não estrague essa sua nova fase, afinal foi a melhor oportunidade que ele teve para continuar a fazer o que gosta. Tomara que ninguém faça deixá-lo de gostar.