Falando de Corrida

Novidades, lembranças e curiosidades do nosso esporte a motor

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terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Os feios que me perdoem...


Alguns se esquivaram das respostas, outros deixaram respostas pendentes, mas a grande maioria concorda: Os novos carros da F1 estão muito feios. Eu me lembro da apresentação da onipotente Ferrari F2002, 10 anos atrás, e o carro era realmente lindo. O design elegante e harmonioso culminou em um dos carros mais vencedores da história, e agora, sou obrigado a fazer algo que nunca achei que faria em minha vida: dizer que um carro da Ferrari não é bonito. Ainda bem que ele não é unanimidade, afinal esse degrau no bico que a maioria dos carros adotou ficou muito feio. Aliás, os carros já não estão mais tão bonitos como costumavam ser desde 2009, quando a regra alterou a aerodinâmica para que houvesse mais ultrapassagens.
Meu amigo Paulo Abreu, do blog volta rápida, volta e meia faz enquetes sobre qual o carro mais bonito da história, e dificilmente algum carro de 2012 entrará para essa lista algum dia. No quesito pintura, a Ferrari e a Lotus não deixaram nada a desejar, com suas tradicionalíssimas cores, trazem grandes estrelas em seus cockpits e esperam reviver bons tempos, o que seria ótimo. 

Mas por que estou citando as duas? Simples: As duas equipes fizeram os carros que até hoje acho os mais bonitos, que por coincidência também foram grandes vencedores. Se as regras obrigam que os carros sejam verdadeiros ornitorrincos sobre rodas, não é culpa dos designers. Mas é sempre bom ver as fotos dos carros que até hoje me enchem os olhos, e quem sabe a feiúra seja compensada com um grande desempenho...

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Rubinho e a (nova) grande chance


Nesta semana Rubens Barrichello conseguiu mostrar boa forma ao testar o novo carro da Indy, inclusive sendo o mais rápido no segundo dia. Bem, ainda não se sabe se Rubens irá para a Indy, embora ele mesmo esteja considerando a hipótese. Não que a KV não queira, não também que ele não levante orçamento, afinal sai muito mais em conta correr na Indy do que na Fórmula 1. Tenho dito ultimamente que a Indy é mais automobilismo do que a Fórmula 1, afinal as equipes estão em um nível muito mais próximo, até porque o equipamento era o mesmo para todos até o ano passado e agora a disputa ficará muito mais interessante, com vários pacotes aerodinâmicos disponíveis e 3 fábricas de motores disputando as vitórias. Além disso, o número de corridas em ovais está menor do que nunca, a categoria vem passando por uma renovação que mistura futuro e passado... enfim, interessante para fãs, equipes e pilotos.
Se Rubens decidir entrar, fará um bom negócio. Entra em um momento em que todos terão que se adaptar ao novo carro, o que significa que ele não estará um passo atrás dos outros. Também haverão pouquíssimas corridas em ovais, onde Rubens não tem experiência (aliás, tem-se falado que ele disputaria somente as corridas em mistos, o que eu duvido um pouco se ele tiver chance de disputar o título). Soma-se a isso o fato de os pilotos de ponta estarem mais próximos de sua idade do que seus concorrentes na F1. Resumindo: Rubinho só tem a ganhar se for  para a Indy.
Eu tenho minhas opiniões, embora algumas o próprio Rubinho ache que mereçam punição jurídica. No quesito pró-Rubinho, acho que a Indy é um ambiente muito menos hostil e mais saudável do que a F1. A pressão é menor, o que deixa mais divertido e prazeroso ser piloto. As equipes estão em um nível técnico mais igualado, e o piloto faz mais diferença. Aí é que moram os quesitos contra, mas bem, vamos lá...
A Indy não seria a primeira grande chance de Rubinho mostrar talento. Isso não faltou em 19 anos de F1, embora ele continue se queixando de que não foi reconhecido. Na Ferrari ele teve Schumacher ao lado, o que não conta muito a seu favor, mas resolveu sair do time na hora errada e falou muita coisa que não devia. Se queimou um bocado com isso, e aí teve a chance de ouro quando viu a Honda ir para o buraco e virar Brawn. Teve uma vida pós-Ferrari (isso pouquíssimos tiveram, o próprio Schummy não conseguiu disputar um título nem vitórias desde que abandonou o time de Maranello) e levou uma verdadeira lavada do companheiro de equipe. Aí se queimou mais um pouco falando que estava sendo desfavorecido. Resultado:  Com mais um companheiro sendo campeão em cima dele, foi relegado à decadente Williams, enquanto Button é o coringa da McLaren...
Sou totalmente a favor de Rubinho na Indy. Só daria um conselho a Rubens: Se entrar para a Indy, que fale menos e tenha os pés no chão. Foque em suas qualidades ao Ives de ressaltar os problemas. Busque resultados reais ao invés de calcular ultrapassagens, afinal mais vale uma vitória largando na primeira fila do que um décimo lugar saindo do vigésimo. Só assim irão parar as críticas, e virá o tão sonhado título, afinal, a Indy também é um mundial. E dos mais emocionantes.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Senna In, Rubinho, Out


Finalmente está confirmado: Bruno Senna é da Williams. Levou para o time de Grove uma boa cota de patrocinadores, é rápido e atrai atenção pelo sobrenome, mas está diante de uma parada difícil. 18 anos atrás, quando o tio estreou pela equipe, a Williams era o time a ser batido, parecia invencível. Isso até acabar a parceria com a Renault. Durante dois anos o time foi fraco, e voltou a mostrar potencial quando Frank estabeleceu uma nova parceria, com a BMW. O time não foi campeão mas venceu corridas e brigou por títulos, mas desde que a parceria acabou, a Williams está mal das rodas, como todo mundo sabe. Mas isso não tira a motivação de Bruno, e talvez sua contratação sirva como um novo fôlego para a escuderia, que em seus melhores dias venceu títulos com Alan Jones, Keke Rosberg, Nelson Piquet, Nigel Mansell e Alain Prost. Sim, faltou apenas Ayrton Senna na lista de grandes que passaram pela equipe e foram campeões, o que aumenta a responsabilidade de Bruno.
Bruno vive hoje completamente o oposto de 2009, quando quase fez parte da equipe Honda, que acabou desistindo e deixando o espólio nas mãos de Ross Brawn, e Bruno acabou preterido por Rubens Barrichello. E o destino, vejam só, fez com que justamente a vaga de Barrichello fosse cedida à Bruno. Não vou dizer que foi justo, mas também não vou dizer que foi injusto. Afinal, se 3 anos atrás a vaga tivesse sido de Bruno, talvez tivesse sido melhor aproveitada, pois poderia ter mostrado (ou não) o seu potencial e talvez estivesse em uma situação melhor hoje.
Mas, especulações e “se(s)” à parte, nada mais justo do que a retirada de Rubinho do mundo da F1. Não faz sentido alguém que desperdiçou todas as chances que teve ainda ter esperança de ser campeão. Com 16 anos a mais do que a idade do atual campeão, já estava na hora de Rubinho deixar sua vaga para alguém mais jovem, alguém que realmente ainda tenha alguma chance de conquistar algo na carreira, nem que sejam apenas alguns pódios ou vitórias, afinal, se 19 anos não foi o suficiente, não seria agora, na Williams, que Rubinho seria campeão, embora ele mesmo  não tenha percebido. Uma pena, pois poderia ter se aposentado de uma maneira menos desonrosa.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Espera ansiosa


Ontem a página oficial do Itaipava Indy 300 no Facebook postou um vídeo com os testes do carro 2012 em Indianapolis. Design muito bonito, futurista, e um passo atrás que todo mundo queria: motor turbo. A Indy vem lutando para recuperar o prestígio de antigamente (leia-se metade dos anos 90), quando chegou a ameaçar a hegemonia da Formula 1 na mídia internacional. Quando a categoria se dividiu, os fãs fizeram a mesma coisa, e a maioria foi para algum lugar quando a categoria se reunificou em 2008. Como os americanos não são bestas, foram buscar na opinião do público, pilotos e equipes o que tornaria a categoria mais interessante. Surgiu então este novo carro, com detalhes interessantes a se destacar:
1 – Aerodinâmica: A aerodinâmica do Indy 2012 segue uma Fórmula simples e eficiente, sem deixar os carros feios como aconteceu na Formula 1 (até hoje não me acostumei com o enorme aerofólio dianteiro e o pequeno traseiro, que até hoje não cumpriram a proposta de melhorarem as ultrapassagens). O novo Indy tem um desenho que lembra os carrinhos da linha Hot Wheels, com linhas bem elaboradas e criadas para eliminarem a turbulência de quem vem atrás, além de aumentarem a zona de vácuo. As rodas traseiras não estão mais totalmente abertas, foi instituído uma espécie de “pára-lama” que faz com que o ar chegue mais “limpo” para quem vem atrás, o que significa maior número de ultrapassagens.  Pode ser estranho em monopostos, mas chamo isso de evolução inteligente.
2 – Fabricantes: Apesar de o chassi permanecer monomarca (Dallara), outros fabricantes irão fornecer os kits aerodinâmicos, como Lola e Penske. Acho atrativo e positivo, pois nenhuma vai querer ficar para trás, o que vai significar disputas dentro e fora da pista.
3 – Os motores: Chega de motores aspirados de um único fornecedor. A Honda continua entre os fabricantes, porém agora ao lado de duas lendas do automobilismo: a Chevrolet (Não sei se alguém discorda, mas para mim, Chevrolet e Indy deveriam nunca ter se separado) e a Lotus, que está mais animada do que nunca. Soma-se a isso o fato de o motor ser turbo, com um som que equivale a um solo de Jimmy Hendrix para os aficcionados.
 Com tudo isso, só aumentou minha ansiedade para a próxima temporada. A expectativa de reviver bons tempos com certeza será correspondidas, já que agora os grandes pilotos terão grandes carros. Que venha 2012!

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Kimi (felizmente) está de volta


Kimi está de volta. O grande Kimi está de volta. Não que a F1 fizesse falta para ele, afinal ele se divertiu mundo afora enquanto esteve longe da frescura que a categoria exige. Durante duas temporadas, Kimi pôde fazer o que gosta, ser um piloto na pista, sem se preocupar com encontros com patrocinadores, coletivas chatas e tardes de autógrafos. Mas a crise está aí, deve ter gasto uma boa grana nas suas brincadeiras e agora é hora de recuperar tudo isso.
Muitos falam da adaptação que pode demorar, mas acho que muita gente esqueceu daquele garoto que chegou andando rápido sem nunca ter entrado num F1 antes e não ter feito mais do que duas temporadas em monopostos aos 21 anos de idade. Que tremam seus oponentes, afinal a Lotus quer ser grande, precisa algo mais do que a velocidade de Vitaly Petrov e Bruno Senna, precisa de alguém que tenha um pouco mais de manha no negócio, e que talvez somente alguém que já foi campeão pode oferecer.
Claro, eu preferia Kimi na Red Bull, menos pelo carro do que pela liberdade que a equipe dá aos seus pilotos. No lugar de Mark Webber, acredito que Kimi daria mais trabalho ao jovem gênio Sebastian Vettel, mas Kimi voltou na vaga que era possível no momento, e espero que ele faça a Lotus brilhar de novo. Fez muito mais do que Alonso na Ferrari e injustamente perdeu seu lugar para o falastrão espanhol, de quem espera-se mais uma no vergonhoso (detalhe: não acho o ano de Alonso menos vergonhoso do que o de Massa, afinal ele tem toda atenção de que precisa, só esqueceu os 2 décimos na McLaren e nunca mais voltou para buscar). Claro qeu não espero vitórias de Kimi no ano que vem, mas sua velocidade e silêncio são muito bem vindas em uma F1 com pilotos que falam muito mais do que deveriam, principalmente em espanhol.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Balanço final


Bom, como todos sabemos, acabou mais uma temporada da Formula 1. A temporada das asas móveis, do KERS (cuja única utilidade é tirar a desvantagem que o seu próprio peso causa), das excessivas punições, das regras sobre difusores que mudaram no meio da temporada e, por fim, mais uma vez uma temporada sem os atrativos de outrora. Claro que a genialidade de Vettel contou (e muito) para deixar a Formula 1 ainda mais desigual, mas a artficialidade da categoria tem afastado público e, consequentemente, GP’s.
Titio Bernie não tem prestado muita atenção na crise, está cobrando uma nota para que corridas sejam realizadas e exigindo contratos a longo prazo, o que não grada nenhum organizador diante do cenário econômico atual. Se você parar para pensar, é como estabelecer um contrato de alguns anos com um funcionário novo sem que haja período de experiência, ou seja, todo mundo sabe que não dá.
A Formula 1 está cara demais pelas corridas que oferece, e nem mesmo tem seguido a proposta inicial do automobilismo, que era servir para desenvolvimento técnico dos carros de rua. Nenhum combustível menos poluente ou componentes mais baratos, e o KERS ainda é apenas uma tentativa de desenvolver uma tecnologia que até agora não trouxe muitos benefícios.
Mas algo que me chamou a tenção neste ano foi o exagero das punições. Tudo bem, os pilotos não devem se comportar como homicidas ou suicidas, isso é fato. Agora, a impressão que os comissários têm dado é de que às vezes punem os pilotos apenas para mostrarem que estão acordados, pois se revermos algumas manobras que resultaram em punição, vamos, no mínimo, ficar em dúvida. Toques de corrida e falta de espaço na pista viraram motivo de investigação, o que faz com que os pilotos sejam cada vez menos combativos, e não é para menos. No automobilismo, ganha quem frear por último, risco faz parte do esporte e piloto tem que ser arrojado. É simples assim, só a FIA não percebeu.
Neste ano um GP foi cancelado às vésperas da realização, no ano que vem dois irão deixar o calendário, e dos USA está ameaçado antes mesmo de entrar no calendário. A grana mundial está curta, ninguém está muito disposto a pagar por pouco espetáculo (com razão). A FOTA está indo para o espaço (Ferrari e Red Bull já se mandaram), a FIA não quer dar pitaco para que Bernie não faça uma espécie de Indy Car (separar a Formula 1 da FIA com já ameaçou há 3 anos) e quem paga o pato é o público e os pilotos.
Com tão pouco em uma temporada que gerou tanta expectativa, é hora de a F1 olhar para a Indy, que resolveu revolucionar de vez (retrocedendo um pouco tecnologicamente, é verdade, com a volta do turbo) a pedido do próprio público na esperança de recuperá-lo dentro e fora das pistas, o que parece que vai dar certo. E se der certo, a Formula 1 que abra o olho, porque a Indy já estabeleceu a prova no Brasil e vai à China do ano que vem. Quem já trabalhou nas etapas brasileiras das duas categorias, sabe qual dá mais show. E o que se quer é ver carros disputando, não boxes cheios de superstars da música e do cinema.
O único ponto realmente positivo da F1 atual tem um nome e um número: Sebastian Vettel, #1. Com um carisma do tamanho de sua genialidade, o alemão tem trazido de volta a essência do automobilismo. Tem inspirado jovens pilotos e atraído fãs. Um alento em uma Formula 1 que muda as regras a cada ano para ver se algo muda.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Falando de corrida, dessa vez corrida de verdade

Eu me lembro de quando eu tinha um certo preconceito para com a Fórmula Truck. Não dá para negar que ela é um pouco diferente do automobilismo que estamos acostumados, onde vemos carros de turismo iguais aos nossos ou objetos de desejo como Ferraris ou Lamborghinis. Ninguém vê o caminhão de Danilo Dirani e sonha em um dia ter um igual para passear por aí. Mas desde que o próprio Danilo me convenceu a acompanhar a categoria, me arrependo somente do tempo passado, quando eu preferia assistir qualquer outra corrida.
E domingo mais uma vez percebi que quem reclama da falta de show de algumas categorias (Leia-se Formula 1 e Stock Car, que vivem mudando as regras na tentativa de tornar corridas mais emocionantes), deveria fazer como eu fiz e passar a acompanhar a “estranha” categoria. E nada como uma boa final de campeonato com grandes pilotos disputando o título e nenhum dos outros concorrentes abrindo mão da vitória.
Foi por isso que Wellington Cirino Resistiu a uma luxação no pé causada durante a comemoração da pole (caiu de mau jeito quando os membros da equipe o jogaram para cima) e partiu para a briga defendendo a sua posição já na largada. Mas, curiosamente, quem não resistiu ao calor de Brasília foi o robusto caminhão. Foi também o que aconteceu com Paulo Salustiano, que vinha bem forte na briga pelas primeiras posições. Danilo Dirani vinha dando um show. Partiu da sexta posição e ganhou a de Felipe Giaffone já na largada, e com belas ultrapassagens, cravou a volta mais rápida por várias vezes até alcançar a terceira posição. E quando estava perto de conquistar mais uma posição, o caminhão também começou a perder rendimento.
Geraldo Piquet, que largou dos boxes e lutava pelo título também fez várias ultrapassagens, mas dependia da vitória para ser campeão, o que seria difícil. Principalmente com um Giaffone inspirado, que ao contrário dos concorrentes, viu o rendimento de sua máquina aumentar da metade da corrida para frente. Resultado: Mais show na pista e uma vitória para consolidar mais um grande ano de alguém que abdicou da carreira internacional para fazer uma bela carreira por aqui.
Mas com tantos shows, um em particular me chamou a atenção: de um respeitável senhor de 71 anos que dá a impressão de que irá correr enquanto viver. E correr bem, afinal, chegar em terceiro no calor de Brasília enfrentando pilotos com menos da metade de sua idade não é para qualquer um. 

Pedro Mufatto honrou sua longa e respeitável carreira em uma corrida fantástica, em uma categoria fantástica e com pilotos fantásticos. Um verdadeiro exemplo de paixão e profissionalismo, que mostra que motivação é muito mais do que meia dúzia de palavras. E por esse ano foi “só”. E como é bom assistir um final de campeonato pensando que é uma pena que acabou. Será que um dia voltaremos a sentir isso de novo também na Formula 1? Aliás que F1 que nada, vou mais é esperar o ano que vem e curtir a Truck...