Falando de Corrida

Novidades, lembranças e curiosidades do nosso esporte a motor

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domingo, 27 de novembro de 2011

Fim de Festa


A última corrida do ano sempre dá aquela sensação de final de festa, quando vai todo mundo embora e tudo fica vazio. Interlagos dessa vez foi uma boa escolha, afinal nada como um circuito tradicional para encerrar a temporada. E teve muita coisa lega: Piquet na Brabham, encontro de veteranos que só Interlagos poderia oferecer, a briga Senna x Schumacher (dessa vez com o Senna II) que foi muito legal embora tenha acabado com a corrida de ambos, a expectativa da chuva que não veio e a improvável vitória de Mark Webber. Não vou negar que se a decisão tivesse sido aqui seria bem melhor. Mas a briga pelo vice também foi boa. Button defendeu o seu vice de forma brilhante, Webber rendeu o que não havia rendido o ano inteiro e os dois astros que ficaram de fora da briga como no ano inteiro (Massa e Hamilton) finalmente passaram um GP sem se enroscarem depois de uma boa briga. Bom, pelo menos não até o ponto em que o carro de Lewis durou, encerrando a temporada de forma melancólica.
Pudemos acompanhar uma corrida bastante movimentada pelo que ela realmente valia para os pilotos, afinal, somente um problema tiraria o merecedíssimo vice de Button, que se mostrou melhor do que quando foi campeão pela meteórica Brawn. Depois de 11 anos na Formula 1, Button não é simplesmente o piloto "Superstar" de outrora, uma espécie de David Beckham (aquele que chama a atenção e faz pouca coisa), e seu embate com o já consagrado Fernando Alonso mostrou isso. Button é o cara que disputa limpo, raciocina e leva a melhor. Torço para que no ano que vem ele tenha um carro à altura, bem como os dois da Ferrari, para podermos ver isso tudo com mais frequência na próxima temporada.
Felipe Massa parecia mais animado e mais conformado com o que a Ferrari pôde lhe oferecer, o que não foi muito nem para ele e nem para Alonso. 4º e 5º lugares foi o máximo que eles conseguiram extrair de um carro que realmente não se deu bem com os pneus Pirelli durante a temporada inteira, e uma equipe que diz estar 100% focada para 2012. esperamos que dê certo toda essa promessa...
Por fim, e não menos importante, Sebastian Vettel. Um problema no câmbio lhe tirou a vitória, porém não o seu brilho. Uma temporada perfeita e que com certeza ficará na história, pelo menos enquanto ele mesmo não quebrar o seu próprio recorde. O que ele terá muitos anos para conseguir. Viva a era Vettel!








Paradas

1
Mark WEBBER
Red Bull Renault
AUS
1:32.17.434
71 voltas
3


2
Sebastian VETTEL
Red Bull Renault
ALE
+16.983

3


3
Jenson BUTTON
McLaren Mercedes
ING
+27.638

3


4
Fernando ALONSO
Ferrari
ESP
+35.048

3


5
Felipe MASSA
Ferrari
BRA
+1:06.733

2


6
Adrian SUTIL
Force India Mercedes
ALE
+1 volta

3


7
Nico ROSBERG
Mercedes
ALE
+1 volta

2


8
Paul DI RESTA
Force India Mercedes
ESC
+1 volta

2


9
Kamui KOBAYASHI
Sauber Ferrari
JAP
+1 volta

2


10
Vitaly PETROV
Renault
RUS
+1 volta

3

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Rubinho: A última chance (?)


Aguardando a definição de seu futuro na Formula 1 (mais uma vez), Rubens Barrichello acabou recebendo um conselho do amigo Felipe Massa que deveria ser, no mínimo, analisado. Depois de 18 anos na Formula 1, Rubinho não tem muito o que esperar de seu próprio futuro. Claro que pilotar na Formula 1 não é um sonho que se deva abandonar, mas no caso de Rubens, já são 19 temporadas, onde já contribuiu o que podia e já conquistou o que tinha que conquistar. Rubens não tem mais os 20 anos de idade que tinha na ocasião da estréia, muito menos o apoio financeiro com que pôde contar nas primeiras temporadas, quando até os Correios o patrocinou. Abriu mão do apoio da Arisco (seu primeiro grande erro) e deu várias cabeçadas, o que fez com que muitos desacreditassem em seu talento.
É fato que Rubens várias vezes deu a volta por cima, e teve muito mais sorte do que pilotos mais famosos, como Danny Sullivan ou Michael Andretti, e pilotos talentosos como Cristiano da Matta. Teve coragem para largar a Ferrari quando o time vivia um de seus melhores períodos na história e se arriscou na Honda, que sucumbiu à crise de 2008. Aí veio mais uma volta por cima: Foi incluso na incógnita Brawn GP e teve um dos melhores carros da história da F1 por um bom período. Mas, mais uma vez Rubens não extraiu o que pôde, e nem mesmo o vice campeonato foi possível, enquanto viu mais um companheiro ser campeão
Barrichello teve a sorte de andar bem nas categorias de base no melhor momento do automobilismo no Brasil, vindo na carona de 4 campeonatos de Formula 1 conquistados pelo Brasil (1 de Piquet e 3 de Senna) quase que seguidos, ganhou o apoio das empresas e não decepcionou até chegar na categoria máxima. Mesmo com tantas críticas, nós podemos ver que Rubinho teve sim, sucesso na categoria, mesmo sem ser campeão. Ganhou corridas memoráveis e teve a infelicidade de ser companheiro de Schumacher no auge de sua arte.  Escapou vivo de um dos finais de semana mais mortais da história da F1 e acabou colocando sobre si uma pressão que a mídia só ajudou a aumentar.
Não duvido que Rubinho esteja empregado ainda no ano que vem, principalmente em uma Formula 1 com tão pouco espaço como a atual. Mas que não espere ser campeão ou até mesmo ganhar corridas, a Formula 1 atual é mais difícil do que 18 anos atrás, quando uma ou outra vitória ocasional de times menores ainda era possível. Talvez Rubens não tenha percebido, mas na Formula 1 de hoje, não dá para sobreviver somente com paixão e sonhos.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Momentos, histórias e Relíquias



No próximo domingo, 27 de novembro de 2011, o GP do Brasil chega à sua 39ª edição oficial (todos têm conhecimento, foram 2 GPs sem contar pontos: Interlagos em 1972 e Brasilia 1974), com muitas histórias de emoção e atos heróicos. Desde o lendário traçado antigo, passando por uma década quase inteira no Rio, o GP teve momentos como a dobradinha Pace-Fittipaldi em 1975, uma pequena irregularidade de Piquet em 1982 que ele mesmo se redimiu de forma magistral no ano seguinte, as vitórias improváveis de Senna em 91 e 93, chegando à batalha épica de Felipe Massa e Lewis Hamilton em 2008, e o grande momento de um inglês, quando Jenson Button deu um show em 2009 para se sagrar campeão quando já era tido como um talento desperdiçado, dando a grande reviravolta em sua carreira.
O respeitável senhor de 71 anos, nosso querido autódromo, sobreviveu à sanha política (quase se tornou um conjunto habitacional no final da década de 90), e felizmente não teve o trágico fim de Jacarepaguá, que só espera o tiro de misericórdia. Tem se tornado o grande elefante branco de nosso país, onde os autódromos caem num ostracismo total, e graças ao GP ele se mantém vivo e completamente ativo. Passou por 3 tragédias neste ano e só não recebe a Indy graças ao domínio de uma rede de televisão que julga ser dona do país e que me deixou, mesmo como forma de protesto solitário, desprestigiar de perto o GP deste ano, fazendo sua filosofia valer na tela muito mais do que o GP realmente merece.
No ano que vem faz quarenta anos que a F1 desembarcou por aqui pela primeira vez. Claro que muita coisa mudou, está mais organizado e não se vê a festa que se via naquela época, com barracas de camping e o gramado sendo mais disputado do que a arquibancada, e é uma pena que o título não tenha ficado para ser disputado aqui, como nos anos de 2005, 2006, 2007, 2008 e 2009, além de 2010 ainda ter mudado a história do campeonato com a vitória de Vettel. Mas é um risco válido, afinal ser o último GP do ano pode valer tudo ou quase nada, como neste ano. Mas isso também não é o suficiente para impedir que os apaixonados possam acompanhar a F1 de perto.
Dentre algumas lembranças que guardo do GP, como sobreviseiras e até mesmo algumas peças de F1, uma é mais especial do que todas, e se trata do maior golpe de sorte que já dei: Encontrei uma edição da revista Auto Esporte cuja capa falava da vitória de Emerson no GP de 1974. Um achado por si só, mas tive a sorte de ter a edição autografada pelo Rato, além de poder tirar uma foto com este grande ídolo da minha infância (embora eu nem pensasse em nascer na época dessa corrida). E quando eu pensava que tudo ia ficar por aí, ainda tive o prazer de vê-lo, em uma tarde de domingo ensolarada, acelerar a Lotus preta e dourada na minha amada pista. Depois disso existem poucas coisas que eu possa querer ver em Interlagos, mais a que vou esperar sempre, é ver de novo a Ferrari disputando uma final de campeonato. E quando acontecer de novo, não terá protesto que me faça ficar em casa.   

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Grande Danilo!


Danilo Dirani sempre se destacou nas categorias por onde passou, desde o kart. Sempre rápido e talentoso, teria tido muito mais destaque se não tivesse nascido no Brasil, país que insiste em cobrar resultados dos seus pilotos sem contudo oferecer-lhes um mínimo de apoio. Após vencer a F3 Sulamericana, Danilo foi para a Europa, chegou a fazer parte de um programa de jovens pilotos da finada Honda e por aqui não se falou mais dele, e eu só tinha mesmo notícias vindas do próprio Dirani via Orkut. Fiquei muito feliz quando soube que ele viria para a Truck, afinal, jovens talentos só vêm mesmo para agregar valores à qualquer categoria que seja, embora tudo se torne mais difícil quando não se tem um pai piloto ou locutor, o que estraga algumas categorias de turismo no Brasil.
Sendo assim, Danilo teve que contar com o seu talento, que mais uma vez ressalto, não é pouco. Junta-se à motivação de correr em uma categoria que ele próprio me convenceu de que era fantástica (antes de ele me dizer isso eu jamais tinha tido interesse em acompanhar a categoria de perto) e o resultado são... Resultados, horas!
Desde que estreou na categoria em 2009, Danilo tem sido rápido, embora tenha lhe faltado sorte em alguns momentos, como quebras que lhe tiraram alguns pódios. Mas não ontem. Com uma pilotagem precisa, limpa e eficaz, Danilo não deu chance para a concorrência nem para o azar. Andou no limite correto, aproveitou cada uma das relargadas e apertou o da direita nos momentos certos, sem correr riscos desnecessários e cruzou, merecidamente, a linha de chegada no primeiro posto, passando por percalços com os comissários no sábado, quando quase perdeu a pole.
Danilo fez ontem o que se espera de um grande piloto como ele é, e na categoria mais forte do Brasil, tanto em termos de mídia quanto de oponentes, onde a lista contempla nomes como Pedro Muffato, Beto Monteiro, Felipe Giaffone e tantos outros. Mostrou que veio para ficar, e não acho que tenha sido azar não ter conseguido vaga na Formula 1, e sim uma tremenda sorte em ir para a Truck, onde o talento não só fala mais alto como também é reconhecido e contemplado. E fica aqui o meu agradecimento à Danilo, afinal, são pilotos como ele que fazem o automobilismo valer a pena. Parabéns Danilo!