Falando de Corrida

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segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Retrato de uma temporada



Não havia muito que incentivasse qualquer um que fosse a permanecer acordado na madrugada de sábado para domingo para assistir ao GP de Suzuka. Não foi como em GP’s passados, onde o circuito japonês foi palco de disputas acirradas. A única coisa que poderia acontecer seria um problema com Vettel que empurrasse a decisão para, no máximo, o próximo GP. E não aconteceu.
Na pista, o retrato de uma temporada: O alemão dominou a maior parte do GP, Button era o único a lhe fazer frente e mais uma vez Felipe Massa e Lewis Hamilton se encontrando pela pista. O inglês parece ter abandonado toda a sua genialidade para jogar pontos fora, como o fez em toda a temporada. Mark Webber, não apareceu nem para dar um oi, e Fernando Alonso vivendo seu momento Barrichello, brigando por um mero pódio.
Mas nada disso desmerece o desempenho de Vettel na temporada. O impressionante amadurecimento do alemão, que no ano passado cometeu vários erros, justifica sua genialidade. E, como eu já disse, não dá para dizer que o mérito é somente do carro, pois seu companheiro de equipe em nenhum momento foi capaz de oferecer-lhe risco, como no ano passado.

Jenson Button mais uma vez foi eficiente, aproveitando a oportunidade para vencer mais uma etapa. Nada mal para alguém que já foi considerado o pior campeão da história, uma das mais injustas afirmações já feitas. Button, aliás, justifica a filosofia da rival Ferrari, em dar preferência a apenas um piloto. Talvez se a política fosse adotada em Woking, o campeonato talvez não tivesse todo um rumo diferente, mas pelo menos duraria um pouco mais.
Agora é apenas cumprir tabela, tenho quase certeza de que o vice será de Button, restando à Lewis, Fernando e Mark lutarem pelo terceiro posto, com inglês jogando pontos fora, Webber escondidinho e Alonso se aproveitando da situação. Esse é apenas o retrato de uma Formula 1 onde a única coisa interessante é o talento de Vettel, e a expectativa de quanto tempo ele precisará para bater Schumacher. Pelo menos, teremos no mínimo 5 temporadas de expectativa...

1
Jenson BUTTON
McLaren Mercedes
ING
1:30:53.427
53 voltas





2
Fernando ALONSO
Ferrari
ESP
+1.160





3
Sebastian VETTEL
Red Bull Renault
ALE
+2.006





4
Mark WEBBER
Red Bull Renault
AUS
+8.071





5
Lewis HAMILTON
McLaren Mercedes
ING
+24.268






6
Felipe MASSA
Ferrari
BRA
+27.120






7
Michael SCHUMACHER
Mercedes
ALE
+28.240






8
Sérgio PÉREZ
Sauber Ferrari
MEX
+39.377






9
Vitaly PETROV
Renault
RUS
+42.607






10
Nico ROSBERG
Mercedes
ALE
+44.322



segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Eu sou mais Indy




Eu duvido que quem passou pela parte final da transmissão da Indy (Mesmo que não tenha assistido ao resto da corrida) não tenha ficado grudado na tela nas últimas voltas, quando os três primeiros brigavam pela vitória. É verdade que o terceiro não estava tão perto assim, estava cerca de 4 décimos atrás do líder, mas mesmo assim tinha chances. E por mais que corridas em ovais tendam a ser meio chatas, os finais sempre são de te deixar grudado na tela. E nas voltas finais, Ed Carpenter e Dario Franchitti deram à prova toda a emoção que talvez tenha faltado na parte anterior da corrida, com Scott Dixon tentando emparelhar com os dois, mas pareceu que não tinha um carro tão veloz. E Carpenter, de uma equipe não muito grande, de propriedade de Sarah Fischer, levou a melhor por muito, muito pouco. Aliás, quase nada, apenas 9 milésimos.
Claro que não foi a chegada mais apertada da história da Indy, mas no visual não dava para saber quem passou primeiro. E que me perdoem os fanáticos pela Fórmula 1, mas sabe quando teremos uma corrida assim? Nunca! Só para fazer um comparativo entre Ed Carpenter e Dario Franchitti, seria a mesma coisa que se Sérgio Perez disputasse as últimas voltas de um GP qualquer trocando de posição com um piloto da Red Bull 3 ou quatro vezes por volta. Aí os mais puristas dizem: “Não dá para comparar, um oval não tem a emoção da freada...” . E na Formula 1 atual, tem? O que tem é uma asa que chega a ser uma covardia, o piloto da frente não tem chance de se defender e ainda pode ser punido por fechar a porta.
Ontem consegui assistir a uma corrida de verdade. Faltando uma corrida para o fim do campeonato, o título ainda está em aberto. E embora a Ganassi e a Penske sejam as equipes Top, ainda aparecem umas equipes pequenas para roubar a cena e surpreenderem, como ontem. É assim que o automobilismo é feito. Isso sim é show, muito mais do que um campeonato já escrito faltando 5 corridas, onde a TV exibe mais os famosos nos boxes do que brigas na pista. Mas afinal, que brigas?
A Indy quer renascer no ano que vem, e tomara que dê certo. E tomara também que haja uma transmissão decente e mais divulgação por parte da responsável pela transmissão no Brasil. Aí quem sabe seja como no final da década de 90, onde valia a pena passar a tarde de domingo em casa e ver grandes pegas. Muito mais do que acordar cedo para ver alguém terminar 20 segundos na frente...

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Falando de Lewis Hamilton...


Lewis Hamilton chegou à Formula 1 como qualquer piloto sonha: Pela McLaren e adorado pelos ingleses. Carismático, Lewis criou uma polêmica enorme ao colocar o campeão da época, Fernando Alonso, no chinelo. Alonso acabou colocando o rabo entre as pernas e acabou abrindo caminho para que o inglês conquistasse o título mais espetacular dos últimos anos, beneficiado, ironicamente, por uma trapaça do espanhol e de Flavio Briatore.
No início, Lewis foi muito bem assessorado pelo empresário, ninguém menos que seu pai. Sua carreira ia bem, e os resultados vinham com facilidade, mesmo com Lewis mostrando estilo arrojado e dando shows na pista, o que dificilmente trouxe resultados em toda a história da F1.  Até que veio a briga e a demissão do pai.
Aí a coisa desandou. Lewis contratou um empresário do show business que não sabe que automobilismo é feito de resultados, e não de aparições em público. Em suma: Ele não sabe que Lewis é um esportista, e não o quinto Beatle. E Lewis tem feito coisas que não condizem com seu talento.
Devido aos seus constantes acidentes, Lewis foi o primeiro a abandonar a briga pelo título. E não foram acidentes necessários, o que tem trazido críticas de todos os lados, inclusive de seus colegas de profissão, quase sempre prejudicados pelas suas manobras. Lewis decaiu drasticamente, e tem agido como um jovem piloto em início de carreira, e não um campeão mundial.
Mas a grande fraqueza de Lewis tem sido sua ingratidão. Depois de despedir o pai, tem criticado abertamente o time pela sua falta de resultados. E todo mundo sabe, só está na F1 porque o pai teve que ter 3 empregos para permiti-lo correr e porque a McLaren o apoiou. E será difícil arrumar uma vaga em um bom time com a pilotagem que tem demonstrado.
É realmente uma pena o que tem acontecido com Lewis. Carismático e talentoso, Lewis só precisa pensar no que está acontecendo, como sugeriu Felipe Massa, até hoje seu maior adversário na pista. E nada como quem seu maior oponente para conhecer suas qualidades e defeitos. Espero que Lewis pense, porque a Formula 1 sem ele seria muito chata.

terça-feira, 27 de setembro de 2011



Jenson Button foi, na maior parte de sua carreira, o cara certo no lugar errado. Tapou buracos na Williams, Benetton, e Renault, até cair na malfadada BAR, que acabou virando Honda. Mostrou bastante serviço em 2004, quando conquistou pódios importantes para a equipe, que nunca teve constância entre suas qualidades. E só se tronou o cara certo no lugar certo depois de 9 anos de Formula 1, na Brawn GP. Muitos estavam convencidos de que seria seu único triunfo, mas Button conseguiu surpreender a muitos, inclusive a mim.
Quando Button foi ser companheiro de Hamilton, todos acharam que levaria uma surra vergonhosa. Não foi, e não tem sido. Button foi capaz de mostrar talento e capacidade fantásticos, tem dado shows e só não levou mais um título por falta de carro. Parece ser o único capaz de competir com Vettel de maneira racional, e partilha de algo bom com o atual campeão: Acelera muito, fala pouco e não se envolve em polêmicas extra-pista. E, na minha concepção, consegue ser mais racional que Vettel em momentos cruciais.
Button é um gentleman, jamais causa um acidente desnecessário e ultrapassa na hora certa. Poupa o carro com uma pilotagem eficiente, que deveria ser aprendida pelos pilotos da Ferrari. Não culpa ninguém por seus fracassos e não exige tratamento diferenciado, além de não ficar criticando a área técnica da McLaren. Enfim, é um piloto à moda antiga.
Button não é do tipo que ganha porque largou na frente ou porque caiu um pé d’água na hora em que precisou. Cai para o fundo do pelotão e vem passando quem for necessário, como fez no Canadá, aponto de fazer Vettel cometer seu único erro até agora. Talvez porque tenha mostrado talento suficiente para amedrontar o top driver da atualidade.
Button é o tipo de cara que faz falta à Fórmula 1. Sem medo e sem frescura, não quer se tornar um Super Star, está lá para ser um grande piloto, e é. Espero que a McLaren lhe ofereça um equipamento à altura no próximo ano. Aí quem sabe ele seja de novo o cara certo no lugar a certo, assim como Vettel.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Falando de Vettel



Analisar um piloto não é algo fácil, afinal, o automobilismo não é um esporte tão individual assim. Dezenas de pessoas estão envolvidas na vitória ou fracasso de um piloto, e além disso, seus resultados dependem de fatores que vão muito além de seu talento. Um exemplo: Michael Schumacher não teria sido quem foi se estivesse a bordo de uma Minardi. Mas, mesmo com a Red Bull tendo feito um carro excepcional, nada tira o mérito de Sebastian Vettel. Lembro-me da quinta-feira que antecedeu o GP do Brasil do ano passado. Vettel andava despreocupado pelos boxes, ao contrário de seus adversários. Não parecia colocar toda aquela pressão em seus próprios ombros, o que mostra o quanto amadureceu como piloto. E isso a ponto de não cometer sequer um dos erros do ano passado, como em Istambul e Spa.
Vettel foi o mais jovem a conquistar qualquer coisa na Formula 1: Pontos, pódio, pole, vitória, título e bicampeonato, afinal a taça já é dele. E quando vejo alguém dizer “Queria vê-lo em um carro inferior”, questiono se o cidadão tem falta de memória, porque não faz tanto tempo assim que Vettel saiu da Toro Rosso. Lembra-se do time antes de Vettel? Sofreu nas mãos de Vitantonio Liuzzi e Scott Speed, demitido por falta de resultados para a chegada de Vettel. No ano seguinte, bons resultados e uma surpreendente vitória em Monza, para um time que foi derivado da Minardi citada acima. Claro que não dá para comparar uma com outra tecnicamente, mas Vettel venceu com um carro inferior ao da matriz, que não era nenhuma potência na época.
Fico pensando se a Red não teria sido uma equipe de sucesso se tivesse um piloto com Vettel há mais tempo. Ele substituiu David Coulthard, que nunca foi capaz de andar bem onde esteve, e pegou Webber de surpresa. O australiano teve que começar a andar, mas parece não ter sido capaz de acompanhar o ritmo do jovem companheiro. Teve uma grande chance no ano passado, mas agora briga para se manter entre os líderes, sem ter vencido uma etapa neste ano. Esse é outro ponto a favor de Vettel: Foi capaz de vencer tendo que enfrentar seu companheiro, diferentemente dos campeões em atividade.
Vettel pode até ser o cara certo no lugar certo, e é preciso muita sorte para isso. Mas está aproveitando todas as chances que lhe aparecem. E isso só se consegue com (muito) talento. E para deixar a Fórmula 1 sem graça, só grandes gênios conseguiram. E para Vettel, não tem sido um problema.