Falando de Corrida

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domingo, 25 de setembro de 2011

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O que dizer? A dupla Vettel - Red Bull está simplesmente impecável. Vettel já é campeão, isso é fato. É fato também que o mérito não é só do carro, do contrário, Mark Webber estaria mais próximo do alemão no campeonato. Parece que até mesmo o australiano reconheceu a superioridade do alemão, ou simplesmente não conseguiu acompanhar o seu ritmo. O fato é que Vettel tem deixado a F1 sem graça, assim como Schumacher fez na década passada, só que com uma diferença: Vettel será bi campeão com 2 anos e 9 meses a menos do que Schumacher. Se não chegar logo alguém para competir com ele, tchau para os recordes de Schumacher. Fora o ritmo impressionante de Vettel, destaca-se também a atuação de Jenson Button. Mais uma vez o inglês escapou das barbeiragens de seu companheiro de equipe e conseguiu chegar à vice-liderança do campeonato, com méritos. E deixa claro que com um carro mais competitivo, brigaria pelo título, com certea. Aliás, é o único capaz de tirar o título de Vettel, mas para isso necessitaria de um milagre.
Pouco temos mesmo a falar do monótono GP de Cingapura. Vettel reinou absoluto de ponta a ponta, mais uma vez Hamilton se envolveu em acidentes e de novo a Ferrari se arrastou na pista. O time italiano, aliás, está mais próximo de ter o ritmo igualado pela Mercedes do que igualar o ritmo de McLaren e Red Bull. E levando-se em conta que para eles o campeonato acabou aqui, há muito trabalho para se fazer, tanto administrativa quanto tecnologicamente. E se eu fosse Felipe Massa, aproveitaria o momento para mostrar serviço, pois agora não tem a desculpa de ter que ficar atrás de Fernando Alonso. Felipe, aliás, mais uma vez se envolveu em acidente com Lewis Hamilton, e foi tirar satisfações com o inglês, que mesmo depois de toda a confusão fez um bom trabalho, terminando 4 posições à frente de Felipe, mesmo depois de tomar punição, embora Felipe tenha que ter se arrastado muito mais do que Hamilton após a batida.
Quanto à Bruno Senna, depois de um péssimo final de semana para a Renault Lotus, que não pôde estrear suas evoluções, acabou longe dos pontos, em 15º, duas posições à frente do companheiro de equipe. o resultado final foi o seguinte:








Paradas

1
Sebastian VETTEL
Red Bull Renault
ALE
1:59:06.537
61 voltas
3


2
Jenson BUTTON
McLaren Mercedes
ING
+1.737

3


3
Mark WEBBER
Red Bull Renault
AUS
+29.279

3


4
Fernando ALONSO
Ferrari
ESP
+55.449

3


5
Lewis HAMILTON
McLaren Mercedes
ING
+1:07.766

5


6
Paul DI RESTA
Force India Mercedes
ESC
+1:51.067

2


7
Nico ROSBERG
Mercedes
ALE
+1 volta

3


8
Adrian SUTIL
Force India Mercedes
ALE
+1 volta

2


9
Felipe MASSA
Ferrari
BRA
+1 volta

4


10
Sérgio PÉREZ
Sauber Ferrari
MEX
+1 volta

2


Não dá para não falarmos de Paul Di Resta. Mesmo longe dos holofotes, tem feito um bom trabalho, levando a Force India a ganhar precioso pontos no campeonato E é bom os grandes ficarem de olho e mais espertos, afinal a equipe tem aproveitado o talento de Paul e a Força dos motores Mercedes para beliscar pontos preciosos. Já está próxima da Mercedes, que está próxima da Ferrari. Só o que ninguém consegue mesmo, é se aproximar da Red Bull.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Piquet, o sobrevivente parte 2


Após as mortes de Stefan Bellof e Manfred Winkelhock em esportes-protótipos no ano de 1985, as equipes passaram a exigir de alguns pilotos que não participassem de outras categorias que não fosse F1, sobretudo os pilotos de nível mais alto, como Nelson Piquet. E a primeira coisa que ele fez ao se aposentar da F1, foi se inscrever para Indianapolis, em 1992. Nessa época a Formula 1 vivia uma era complicada, a tecnologia embarcada tirava a graça das corridas e a IndyCar passava a ganhar espaço, sobretudo após o início do processo de internacionalização.  Havia que achava que Piquet não resistiria à tentação de se tornar efetivo na categoria após Indianapolis.

Só que em 1992 Indianapolis não estava para brincadeira. A começar com Rick Mears, até hoje recordista de vitórias em Indy 500. Depois de uma batida fortíssima, Rick quebrou o pé e ficou de fora daquela que seria sua última participação na corrida, o que acabou nem acontecendo. E Piquet passava a se acostumar com os ovais, onde o risco sempre acompanha os pilotos, próximos aos 400 km/h. E Piquet acabou provando o perigo de uma maneira péssima: no meio da curva 4, um pneu furou. O Lola Buick, a princípio saiu de traseira, porém girou 360 graus e atingiu o muro de frente.
Se a Tamburello foi a curva que matou Ayrton Senna e foi palco de outros acidentes fortes, a curva 4 de Indianapolis possui uma enorme lista de mortes, como Swede Savage, Eddie Sachs e inúmeros outros pilotos. E a batida de Nelson o deixou muito próximo de aumentar essa lista. A força do impacto foi equivalente à queda de mais de 20 andares, e destruiu a parte frontal do carro, assim como as pernas de Piquet. Foram inúmeras fraturas, e era possível perceber a dor de Piquet ao vê-lo agitar os braços após a batida.

Foram várias cirurgias para reconstruir os ossos destroçados nos dias que se seguiram, e não se sabia se após o acidente Nelson teria todos os movimentos de volta. E foram meses de molho, sem contudo que Nelson perdesse seu humor. Em uma entrevista, ao mostrar a ponta do dedão que havia sido praticamente perdida, Nelson disse “uma unha a menos para cortar...” A força de Nelson foi fundamental para que ele se recuperasse, e no final do ano ele fez questão de entrar andando no consultório do cirurgião que havia reconstruído suas pernas, disfarçando sua dor e arrancando um “Miracle!” do médico.
Nelson não somente voltou a andar como também voltou a pilotar. Foi para Indianapolis no ano seguinte e se classificou, porém abandonou o GP após 13 voltas. Ainda andou de Endurance e correu a Mil milhas de Interlagos em parceria com o filho Nelson Angelo. Hoje está longe das pistas, apenas acompanha as carreiras de Nelsinho, Geraldo e Pedro. E nunca se vangloriou de seus maiores feitos, sobreviver à duas curvas mortais.

domingo, 18 de setembro de 2011

Piquet, o sobrevivente parte 1




Poucos podem se orgulhar de driblarem a morte mais de uma vez. Se levarmos em conta então que isso ocorreu na Tamburello e na curva 4 de Indianapolis, nem se fala. Nelson Piquet pode se considerar um sobrevivente, afinal a Tamburello vitimou Ayrton Senna, a curva 4, incontáveis pilotos. A verdade é que a carreira de Piquet poderia ter sido muito mais genial se não fosse a Tamburello, justamente quando estava em sua melhor forma. Mesmo assim usou a cabeça para tirar o título de Mansell, que também sofreu um acidente que o tirou da briga pelo título.
Piquet nunca foi um piloto fraco. De 1980 a 1987 não passou uma temporada sequer sem vencer pelo menos um GP. Foi cria da extinta Brabham, onde a parceria com Gordon Murray foi daquelas de marcar época. Foram 2 mundiais, o que não era fácil naquela época. Tudo era muito mais disputado, os carros não costumavam durar muito e os adversários não davam mole como hoje em dia. Não se pensava muito antes de tentar uma ultrapassagem, quem estava lento fechava a porta de verdade e ninguém ficava com frescura na sala da direção de prova, o que aliás só começou com Senna X Prost...
Os adversários de Piquet foram épicos e mais pareciam personagens de briga de bar: Alan Jones, Keke Rosberg, Nigel Mansell, René Arnoux, isso sem contar caras como Gilles Villeneuve e Niki Lauda. E ainda vieram Ayrton Senna e Alain Prost. E quer saber? Piquet foi capaz de vencer todos de maneira espetacular.
Depois daquele 1º de Maio Nelson nunca mais foi o mesmo. Perdeu um pouco a noção de distância, acabou ficando alguns décimos mais lento e teve noites e noites de insônia. Levou aquele campeonato e foi para o lugar de Senna na decadente Lotus. Foram duas temporadas magras, sem vitórias ou grandes resultados, apenas alguns pódios. Em 1990 foi para a Benetton, onde voltou a vencer no final da temporada e finalizou o campeonato em terceiro, em boas disputas com o eterno rival Nigel Mansell.
No ano seguinte a Formula 1 começaria a se tornar mais tecnológica, o computador se sobrepondo ao talento. Ayrton Senna ainda conseguiu vencer, mas a partir dali ficava claro que as equipes médias não teriam vida fácil. Piquet venceu no Canadá em mais um azar histórico de Nigel Mansell, sem combustível na última volta (há versões de que estava lento demais e deixou o motor morrer). Nelson viu o companheiro (e amigo) Roberto Moreno ser dispensado para a chegada de um determinado alemão, e ao final da temporada se aposentou da F1, mas com vontade de ir à Indianapolis, disputar a Indy 500 do ano seguinte. (continua)

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

O peso de um sobrenome


Dentre todos os problemas que um piloto de Formula 1 pode enfrentar, Bruno Senna tem dois enormes: Primeiro, ele é Senna. Segundo, é brasileiro. Ser o primeiro, aliás, não seria um problema tão grande não fosse pelo segundo. Vide Nelsinho Piquet. Bastou ir para os USA, longe da torcida canarinho, e a carreira está deslanchando. Por lá, o público respeita as dinastias. Andretti, Unser, Villeneuve, Fittipaldi... Os americanos respeitam famílias que mantêm a tradição, basta usarmos Christian Fittipaldi como exemplo. Por lá, Christian é muito respeitado e possui muitos fãs, por aqui nem se toma conhecimento quando corre na Stock. Mas isso é próprio da torcida brasileira, em qualquer esporte. Quem fala por exemplo em Acelino Popó Freitas ou Guga Kuerten? Foram heróis enquanto estavam em atividade, hoje são apenas uma vaga lembrança (apesar de carreiras vitoriosas). Cesar Cielo está no mesmo caminho: Uma derrota da seleção brasileira vale uma reportagem muito maior do que 5 medalhas que ele conquiste em único dia. Mas quando começar a perder, aí vai ser cobrado. Nesse ponto, Ayrton Senna teve extrema sorte, não viveu para sofrer injustiças. Sua morte trágica ao vivo ainda é explorada por ter gerado tamanha comoção popular. É de tragédias que  brasileiro gosta, não de vitórias.
Bruno está mostrando talento, ao contrário do que a imprensa daqui diz. Não está chamando atenção por ter um sobrenome famoso, e sim porque está conseguindo resultados, no mínimo, iguais aos de Nick Heidfeld. Se considerarmos que o alemão estava na Fórmula1 desde 2000, isso significa bastante. E em Monza não é tão fácil acelerar como os repórteres especializados gostam de dizer. Tem que saber equilibrar velocidade com precisão nas fortes freadas, como percebemos em um certo alemão da Mercedes, no último GP, e Bruno soube fazê-lo durante o final de semana inteiro, além de escapar muito bem da confusão causada por Liuzzi na largada. Mostrou também um estilo mais para Alain Prost do que para seu tio, afinal fez uma corrida muitíssimo calculada, arriscando nos momentos certos. Tem se demonstrado um bom líder dentro da equipe, e sua personalidade cativante estimula todos dentro do time.
As qualidades de Bruno podem muito bem transformá-lo em um piloto vencedor. Não que será fácil, como nunca nada foi fácil em sua carreira. Mas até agora não desistiu, aproveitou as oportunidades e galgou seu espaço. Torço por Bruno. Não porque ele é Senna, muito menos por ele ser brasileiro. Torço porque é batalhador, não se deixa abater e tem o estilo eficiente que tem destacado muita gente atualmente. Espero que tenha vindo para ficar, e que os grandes times o vejam como uma (boa) opção nos próximos anos. E que, ao contrário do tio, desconsidere o fato de ser brasileiro. Afinal, a torcida irá considerá-lo quando vencer, e quando parar, facilmente será esquecido.