Falando de Corrida

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domingo, 26 de junho de 2011

De novo...


Está cada vez mais chato comentar sobre Formula 1. E acho que o mérito não é exclusivo da equipe Red Bull, afinal se fosse um Super carro, a dobradinha teria sido inevitável. Que o carro dos caras é bom, não se discute, e que Vettel é realmente um grande piloto, também não. Tenho cá minhas dúvidas se as novas regras de mapeamento de motor e do escapamento farão realmente uma grande diferença, afinal a Ferrari tem mostrado força porém continua patinando na estratégia e nos boxes, onde tirou o quarto lugar de Felipe Massa e quase tirou o segundo de Alonso. Deficiências que não são de hoje...
A superioridade de Vettel e da equipe acabaram levando a FIA a rever as regras no meio da temporada. Aliás, o regulamento da Formula 1 está muito parecido com nossa constituição, cheia de emendas que criam brechas enormes. Não seria melhor criar um regulamento mais claro e do zero ao invés de ficar com palhaçadas? E não seria interessante permitir inovações que realmente ajudassem o esporte (ao contrário de coisas estúpidas como a asa móvel e o KERS)? Não seria melhor se...
Bom, nova pontuação, um monte de sistemas questionáveis e emoção que é bom está longe. Encher o Grid sem qualidade e permitir que os endinherados gastem os tubos para fazer carros pouco competitivos está matando o esporte. Na pista, muitos talentos. Faltam agora arrumar talentos nas pranchetas também!

Resultado final


1
Sebastian VETTEL
Red Bull Renault
ALE
1:39:36.169
57 voltas
3


2
Fernando ALONSO
Ferrari
ESP
+10.891

3


3
Mark WEBBER
Red Bull Renault
AUS
+27.255

3


4
Lewis HAMILTON
McLaren Mercedes
ING
+46.190

3


5
Felipe MASSA
Ferrari
BRA
+51.705

3


6
Jenson BUTTON
McLaren Mercedes
ING
+1:00.000

3


7
Nico ROSBERG
Mercedes
ALE
+1:38.000

3


8
Jaime ALGUERSUARI
Toro Rosso Ferrari
ESP
+1 volta

2


9
Adrian SUTIL
Force India Mercedes
ALE
+1 volta

3


10
Nick HEIDFELD
Renault
ALE
+1 volta

3

sexta-feira, 24 de junho de 2011

100 anos da lenda


Hoje faz 100 anos que nasceu um dos maiores gênios do automobilismo, senão o maior. Juan Manuel Fangio nasceu em Balcarce, Argentina, e ganhou o mundo 40 anos depois, na Europa. Fangio demorou para fazer sucesso no automobilismo. Começou a competir aos 17 anos, e foi o último colocado na primeira prova que disputou, a bordo de um Ford T. Seu primeiro pódio foi aos 28 anos, na mil milhas argentinas, e nos dois anos seguintes foi campeão Nacional Argentino. Em 1947 foi apoiado pelo governo Perón para seguir para a Europa, onde se tornaria uma lenda. Na temporada de abertura da Formula 1, Fangio venceu três provas e foi vice campeão pela Alfa Romeo, formando dobradinha com o italiano Giuseppe Farina. No ano seguinte, Fangio conquistaria seu primeiro campeonato. Em 1952, Fangio seguia para o GP da Itália quando após uma escala em Paris, foi informado de que o vôo não seguiria. Pegou um carro e dirigiu até lá, onde iniciou os treinos bastante cansado. Resultado: Fangio sofreu um grave acidente, fraturou o pescoço e não voltou a guiar até o ano seguinte, quando perdeu o título para Alberto Ascari. E foi o último título que Fangio perdeu (em 1958 não participou da temporada completa). Foi campeão em 54 e 55 com a não menos lendária flecha de prata, pela Ferrari e pela Maserati em 1957, quando realizou o maior feito de sua carreira (talvez do automobilismo), no GP de Nurburgring.

No circuito de 22 Km, Fangio teve um problema durante um reabastecimento, e caiu para trás. Sua vantagem de 30 segundos, acabou se tonando um déficit de 45. Ressalto que o argentino havia quebrado o recorde da pista durante os treinos. Mas o impressionante é que o próprio Fangio ainda quebraria o Recorde 9 vezes naquele final de semana, sendo 7 consecutivas. E foi na última das 22 voltas que o argentino consegui chegar nas Ferrari. Primeiro, Peter Collins. Em seguida, Mike Hawthorn, que queria vencer tanto quanto Fangio. Faltou pista. O argentino então usou a grama para colocar duas rodas e ultrapassar o inglês para vencer a prova, com 3 segundos de vantagem. "Nunca pilotei assim, antes nem depois", afirmava o argentino, ressaltando que ficou algumas noites sem dormir após o feito, que também o levaria ao quinto título mundial.

O recorde de 5 títulos seria quebrado apenas 46 anos depois por Michael Schumacher, mas sem uma fração do heroísmo de Fangio. no ano seguinte, o argentino abandonou o automobilismo. Por quê ? Ele mesmo explicou:
"Eu estava em Reims (1958), treinando para o GP da França, quando senti que o carro estava muito instável, o que me chamou a atenção porque a grande virtude da Maserati 250F era sua estabilidade. Então cheguei ao box e perguntei ao chefe de equipe o que se passava; ele respondeu-me:- Trocamos os amortecedores ! - Mas por quê?, perguntei. - Porque estes nos pagam! - Assim, naquele momento, tomei a decisão de encerrar a carreira. E não me arrependo disso!"
Fangio foi um caso raro, se retirando no auge. Além disso, conseguiu sobreviver em uma época em que segurança era uma palavra rara no automobilismo. O que além de tudo prova sua habilidade, afinal, pilotar nessas condições de forma tão impressionante, somente atesta o talento de Fangio, o maior de todos os tempos.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Nova ou renascida?


Ninguém conseguiu definir ainda o que se passa com a Copa Petrobrás de Marcas, se ela se trata de uma categoria nova ou se é o renascimento do glorioso brasileiro de Marcas e Pilotos, depois de 15 anos de ausência. Seja como for, a categoria é legal, e mais uma opção para os nossos pilotos, embora em sua maioria eles já tenham uma carreira sólida dentro do nosso automobilismo. Prova disso foram os dois vencedores da estréia da categoria, Valdeno Brito e Tiago Camilo.
Claro que muita gente critica o fato de mudarem as categorias e no final os mesmos pilotos, mas pelo fato de ser uma opção (bem) mais barata que a Stock, a categoria tem muitas chances de vingar, e nomes conhecidos só tendem à agregar à categoria. Só é uma pena que no Brasil, à medida que surge uma nova categoria, 3 ou 4 desaparecem, como DTM pick Up, a Pick Up Racing e a Stock Light, que hoje viraram apenas a Copa Montana, ou a Copa Clio, que dava show mas ficou sem apoio. De minha parte, espero que o brasileiro de Marcas volte aos seus melhores tempos, com grids cheios, boas disputas e público presente. Mas se você quer ver um campeonato de Marcas e Pilotos bom mesmo, com muita disputa e pouco dinheiro, vá ao autódromo de Interlagos curtir um Paulista de Automobilismo. Mas isso é papo para uma outra matéria...

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Imprensa especializada

Tenho lido tantas besteiras e críticas sem fundamento por aí, que é absolutamente impossível ficar indiferente. Quando aconteceu o acidente do Gustavo choveu besteira de "experts", falando que o erro do pneu invertido era inaceitável (sendo que foi dito por um piloto, que deveria saber que este tipo de prática é comum), que softwall talvez resolvesse (já faz quase um ano que o softwall está lá) e tudo mais. Aí li mais duas na semana passada que foram de lascar. Primeiro alguém falou que os comissários deveriam retirar detritos da pista. Bom, não vou citar nomes, mas vou recomendar uma passada pelo site da CBA para que o cidadão dê uma olhada no anexo H. Lá ele deveria aprender um pouco (não adianta só fazer jornalismo, aliás, em certos casos não adianta nada se você não estudar sobre o que você escreve) e saber que existem comissários e equipe de resgate, e que cada um tem sua função. Mas é assim mesmo, quem se preocupa somente em assistir à corrida e ouvir o Galvão narrando não deve saber muita coisa...
Outra que foi de lascar veio de um blog especializado, onde um jornalista conhecido quis comparar a interrupção da Formula 1 em Montreal com a prova reiniciando depois de pouco mais de uma hora com o cancelamento da Indy aqui em São Paulo, como se isso tratasse de desorganização. caberia ao guru aprender um pouco sobre automobilismo norte-americano. Desde que a Indy era CART e eu era só um garoto assistindo, eu sabia que isso é uma prática comum nas corridas norte-americanas. Foi assim na corrida da Champ Car justamente em Montreal, em 2006. Pois é, também ficou para segunda. E nem por isso alguém chiou por lá.
Claro que não me considero um especialista. Mas acho que deveriam seguir meu exemplo e consultar fontes e regulamentos antes de escrever bobagens.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Irreconhecível


Logo de cara ele foi considerado um fenômeno. Não foi à toa que o jovem inglês se tornou uma enorme pedra no sapato do até então grande Fernando Alonso. Lewis Hamilton provou não só que era rápido, mas capaz de enfrentar de igual para igual um campeão que já estava estabelecido na Fórmula 1 como um dos grandes de sua época, fazendo o espanhol iniciar uma guerra contra a própria equipe. E convenhamos que se dentro da equipe, um piloto como Alonso, que havia inclusive levado o banco espanhol para a McLaren, foi preterido, é porque o novato era mesmo talentoso. E provou isso no ano seguinte, em uma disputa heróica e memorável com Felipe Massa, da qual saiu campeão por apenas um ponto, em uma das melhores disputas de campeonato dos últimos anos.
Mas, de repente, Lewis passou a pilotar de uma maneira que não é a sua. Ele sempre foi agressivo e dono de um estilo arrojado, o que é muito raro hoje em dia. E muito admirável também. Mas Lewis vem fazendo bobagens que não são próprias de um campeão. Talvez o fato de sua carreira não estar mais na mão de seu pai, mas são só especulações. Na minha opinião, o ambiente muitas vezes hostil da Fórmula 1, prejudica jovens talentos como Lewis. Um exemplo: Por enquanto, Sebastian Vettel é um gênio, um fenômeno, mas mais cedo ou mais tarde aparecerá um cara mais jovem e tão ou mais talentoso, como aconteceu com Lewis, como aconteceu com Alonso, que derrubou Schumacher, e por aí vai. E no caso de Lewis, a “Lewismania” pode ter sido ótima quando ele tinha condições de vencer, mas agora que a Red Bull massacra os rivais, o sucesso se torna pressão. Lembro-me quando perguntaram à Kimi Raikkonen o que ele achava da Lewismania, e o finlandês respondeu com toda sua categoria: “Pergunte isso à ele”. Não que Kimi fosse mal educado, mas chegou jovem e também sofreu o mesmo tipo de pressão, até o momento em que mostrou que não queria mais. Isso acontece quando o piloto descobre que Fórmula 1 não é só pilotar, mas sim ter que responder pelo que acontece dentro e fora da pista, e o que acontece fora é o que não dá para segurar, afinal é lá que está quem banca toda a brincadeira, que é cara e precisa de retorno. Aí o piloto deixa de ser um ser humano, e muitos não resistem à isso. Como Kimi, o grande Kimi, que agora pilota para se divertir.
Confio na pilotagem de Lewis. O inglês não é qualquer um, já demonstrou e já provou. Não pode deixar é que as notícias e comentários maldosos o derrubem psicologicamente, pois o que vale para eles não é o show, e não estão nem aí para o ser humano.
Desejo força à Lewis, porque talento ele já possui. E seria trágico para a Fórmula 1 perder um piloto desses, como aconteceu com Kimi, o grande Kimi.